quarta-feira, 27 de junho de 2012

Lugo apelará à Corte de Direitos Humanos após impeachment




Após ter tido duas ações rejeitadas pela Corte Suprema do Paraguai, o presidente destituído Fernando Lugo apelará à Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão ligado à Organizações dos Estados Americanos (OEA), contra o processo de impeachment que o removeu da Presidência em menos de dois dias.

De acordo com um dos assessores jurídicos de Lugo, a representação questionará novamente o fato de o ex-presidente não ter tido tempo suficiente para fazer sua defesa. “Em todo mundo os processos garantem o direito à defesa”, disse o advogado Emílio Gamacho nesta quarta-feira (27) após se reunir com o ex-presidente.

Lugo teve duas ações rechaçadas pela Suprema Corte paraguaia. Um deles pedindo mais tempo que as duas horas dadas para sua defesa no dia do julgamento político no Senado e um segundo questionando a constitucionalidade do impeachment.

Um dos defensores de Lugo no Congresso, o senador Carlos Fillizola admite que é “muito difícil” que o ex-presidente consiga reaver seu mandato. “Nós temos consciência de que é muito difícil, mas isso não quer dizer que não vamos reclamar pelo justo. Queremos que se restaure a ordem democrática no Paraguai, mas se as instâncias responsáveis entenderem que o grupo que se apoderou do poder continue, vamos continuar lutando para que as coisas mudem no país.”Em uma reunião realizada na terça em Washington, a OEA decidiu enviar ao Paraguai uma missão para investigar o impeachment do ex-presidente após a maioria dos países sul-americanos terem expressado preocupação com a velocidade da ação.


Manifestações pelo país
O gabinete paralelo formado por ex-ministros e assessores de Lugo anunciou nesta segunda que o ex-presidente deve percorrer o país em mobilizações contra o novo governo instalado após o impeachment.

Segundo os integrantes do “Paraguai resiste”, a ideia é que o ex-presidente percorra vários estados, a partir da próxima segunda-feira, para dar a versão dele da situação do país e participar de manifestações pacíficas.

Em um comunicado, o grupo acusa “setores golpistas” de promover a desinformação e diz que o governo de Federico Franco será responsável por possíveis sanções econômicas ao Paraguai de organismos internacionais como a Unasul, o Mercosul e a OEA. O texto também incentiva paraguaios e paraguaias a sair às ruas para protestar pela restituição do ex-presidente.

Segundo Filizola, movimentações espontâneas começaram a surgir no interior do país. “Em diversas regiões do Paraguai já se iniciaram e está crescendo o clima de protestos cidadãos. Aproveitamos para insistir que as manifestações sejam pacíficas. Por último, instamos a todos os paraguaios e paraguaias a seguir firmes na atitude de protesto, nas praças, ruas e onde a injustiça possa ser denunciada”, diz a nota.

Crise no Paraguai
Federico Franco assumiu o governo do Paraguai na sexta-feira (22), após o impeachment de Fernando Lugo. O processo contra Lugo foi iniciado por conta do conflito agrário que terminou com 17 mortos no interior do país.

A oposição acusou Lugo de ter agido mal no caso e de estar governando de maneira "imprópria, negligente e irresponsável".

Ele também foi acusado por outros incidentes ocorridos durante o seu governo, como ter apoiado um motim de jovens socialistas em um complexo das Forças Armadas e não ter atuado de forma decisiva no combate ao pequeno grupo armado Exército do Povo Paraguaio, responsável por assassinatos e sequestros durante a última década, a maior partes deles antes mesmo de Lugo tomar posse.
(Fonte: g1.com)