O Ministério Público Federal (MPF) vai pedir a perícia de obras com suspeita de fraude no norte de Minas Gerais. Nesta quinta-feira (21), 16 pessoas foram presas por suspeita de desviar cerca de R$ 100 milhões em verbas públicas de 37 prefeituras da região.
De acordo com o procurador de Justiça, André Dias, devem ser realizadas perícias detalhadas. “Queremos ainda que se façam perícias nos locais para verificar exatamente o quanto foi executado, o quanto não foi executado, o que foi suprimido, quem foram os responsáveis. Porque não adianta só apontar o empreiteiro e um ou outro agente municipal. Queremos descobrir todos os responsáveis”, disse.
Um dos 16 detidos é Evandro Leite Garcia, dono da construtora Norte Vale. Em um telefonema para um prestador de serviços, ele manda retirar material da estrutura de uma ponte em Coração de Jesus. “Não é pra usar treliça não, moço, tá pedindo treliça? Tem muita coisa que tá no projeto que nós não coloca (sic)...”, consta na gravação divulgada pela polícia. A obra citada foi realizada na cidade de Coração de Jesus e custou quase R$ 1 milhão.
O empreiteiro também é acusado de manipular concorrências públicas. Uma das empresas ligadas a ele ganhou a licitação para construir o novo cemitério de Montes Claros.Uma perícia feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) aponta superfaturamento em outro contrato de Evandro Garcia. Em diversas escolas de Montes Claros, foram construídas 21 salas de aula com 45 m² cada uma. Segundo os peritos, pela análise da planilha de material, daria para construir salas com até 123 m². Segundo o laudo, o prejuízo seria de mais de R$ 366 mil aos cofres do município.
O contato de Garcia com funcionários de prefeituras, segundo as investigações, seria por meio de Luiz Eduardo Fonseca Mota, um suposto lobista. Em outra ligação divulgada pela polícia, o empresário reclamou com Mota do surgimento de outra empresa na concorrência.
Segundo documentos apurados nas investigações, no mesmo dia, a concorrente foi desclassificada, e a empresa de Evandro Garcia fechou o contrato de mais de R$ 1,3 milhões.
Além de Evandro Garia, Luiz Eduardo Fonseca e um funcionário do setor de licitações da prefeitura de Montes Claros, Romílson Cunha, estão entre os detidos na operação.
Os representantes de Romílson Cunha e Luiz Eduardo não foram localizados para comentar as denúncias. A prefeitura de Montes Claros informou que o prefeito Luiz Tadeu Leite está internado em Belo Horizonte por causa de uma cirurgia, mas está acompanhando as denúncias e já determinou a investigação de todos os eventuais contratos que o município tenha com as empresas de Evandro Leite Garcia. Na prefeitura de Coração de Jesus, ninguém foi encontrado.