quinta-feira, 28 de junho de 2012

O que um lanche de mortadela diz sobre uma pessoa













Foi ontem à noite. Fui fazer uma entrevista e pedi ao motorista que me levou até o lugar para esperar, pois não devia demorar. Uma hora depois, saí do prédio e não vi o carro parado. Liguei para ele.

- José? Então, eu já acabei a entrevista. Você pode vir aqui me buscar, por favor?

- Eu estou numa padaria aqui ao lado, mas já estou indo aí.

Cansada, com fome e querendo ir pra casa, pensei “Putz, não tinha uma hora melhor para ele ir à padaria?”. Demorou alguns minutos e ele apareceu, com o saquinho de pão nas mãos.

- O carro está parado ali do outro lado da rua, você quer esperar aqui enquanto eu vou lá buscar?

- Acho mais fácil eu ir com você até lá…

Chegando ao lugar onde o carro estava parado, o motorista passou reto. “Aonde ele vai agora?”, pensei. Ele andou só mais um pouco, e foi em direção a um morador de rua, que dormia embaixo do toldo de uma loja. Pegou a sacolinha da padaria e deu para o homem.

- Ó, é um pão com mortadela, pra deixar sua noite menos fria…

O homem abriu um sorrisão e agradeceu. O motorista voltou para o carro, onde eu esperava do lado de fora.

- Fui levar um pão com mortadela para o cara ali embaixo do toldo. A gente sempre olha e julga, mas nunca sabe o lado do outro, o que aconteceu na vida dele, né?

O mundo precisa de mais pessoas como José, definitivamente.