Dissidentes foram detidos após o velório de Oswaldo Payá, que morreu em acidente de carro no domingo
Amigos e seguidores homenageiam Oswaldo Payá durante a procissão de enterro (Stringer/Reuters)
O sepultamento do opositor cubano Oswaldo Payá, que morreu domingo em um acidente de trânsito, foi marcado pela prisão de dissidentes do regime. Mais de 300 pessoas acompanharam o corpo depois do velório na igreja que Payá costumava frequentar. Após o ato religioso, quando os presentes começaram a ir para o Cemitério Colón de Havana, policiais realizaram dezenas de prisões, entre elas a do jornalista independente Guillermo Fariñas, líder da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN). Após a onde de detenções, os presentes ao enterro começaram a gritar palavras de ordem contra o governo.
Payá foi o primeiro opositor cubano que recebeu o prêmio Sájarov do Parlamento Europeu em 2002. A disntinção veio por causa do Projeto Varela, uma proposta de transição democrática na ilha enviada ao parlamento cubano com milhares de assinaturas. A viúva de Payá, Ofelia Acevedo, agradeceu na despedida pela colaboração dos “irmãos da oposição” do ex-líder do Movimento Cristão de Libertação (MCL), assim como aos companheiros na organização e aos colegas de trabalho do marido.
A filha dele, Rosa María Payá, responsabilizou nesta terça-feira o governo de Raúl Castro pela "integridade física" de sua família. Disse ainda que deseja esclarecer os acontecimentos e buscar justiça pelo acidente de carro em que seu pai morreu, no domingo. A jovem, de 23 anos, destacou que seus temores se devem às constantes ameaças contra a vida de seu pai e de sua família. "Aqueles que têm nos acompanhado durante todos estes anos sabem que é verdade o que digo", completou.
Acidente - A família questiona as circunstâncias do acidente e afirma que outro veículo tirou o carro do opositor do caminho. "Não buscamos vingança. Não fazemos isso por ódio porque, como meu pai dizia, não temos ódio no coração, mas sede de verdade e desejos de libertação", acrescentou. Contudo, a Comissão Cubana dos Direitos Humanos, grupo de oposição, afirma ter se tratado de um "trágico acidente".
As duas testemunhas do acidente, o espanhol Carromero Barrios e o sueco Jens Aron Modig, ambos de 27 anos e levemente feridos na ocasião, não falaram publicamente sobre o episódio. Barrios, que conduzia o veículo, está detido em Bayamo para prestar depoimento à polícia.
(Com agência France Presse e EFE)