Péssimo desempenho no Ideb reacende discussão no Ministério da Educação sobre necessidade urgente de reestruturação curricular
Conteúdo do ensino médio deve ser organizado em quatro grandes grupos (Thinkstock)
O estado crítico do ensino médio brasileiro, conforme comprovaram os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, divulgados na última terça-feira, fizeram o Ministério da Educação (MEC) avaliar mudanças curriculares. Elas devem acontecer inspiradas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que organiza o conteúdo em quatro grandes grupos: linguagens, matemática, ciências humanas e da natureza.
Em maio de 2011, o Conselho Nacional de Educação (CNE) já havia aprovado diretrizes que possibilitam a flexibilização do currículo atual, além de permitir aos alunos de cursos noturnos estender o tempo para término dos estudos. A proposta, portanto, não é nova, mas voltou à tona após o Ideb indicar queda na pontuação de nove estados brasileiros e estagnação de outros sete.
Confrontado com os índices, o ministro Alozio Mercadante não negou: “O ensino médio continua sendo um grande desafio ao sistema educacional”. Segundo informações da Agência Brasil, na próxima semana, Mercadante já deve se reunir com secretários de educação a fim de articular os caminhos para a mudança. A próxima compra de livros didáticos para o ensino médio dará prioridade a obras organizadas nestes quatro grupos. Contudo, como o material é renovado apenas a cada três anos, a próxima remessa será apenas para 2015.
O resultado do Ideb fez reacender a discussão também sobre o Programa Ensino Médio Inovador (Proemi), lançado em 2009, que amplia a carga horária e estimula as escolas a oferecer mais disciplinas, de preferência alternativas nos campos de trabalho, ciência, cultura e tecnologia. Quase 2.000 escolas de 24 estados fazem parte do programa. Nos estados do Pará, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Piauí e São Paulo -, o programa está sendo implementado a partir deste ano - a previsão é de que haja 100% de adesão até 2014.
Reorganização – Assim como Mercadante, que disse que o “currículo sobrecarregadado não contribui para o aluno focar nas disciplinas tradicionais”, o secretário de Educação Básica do MEC, César Callegari, também criticou o que chama de “inchaço curricular”.
“O Enem é uma referência importante, ele traz novidades que têm sido bem assimiladas pelas escolas. Não estamos propondo a eliminação de disciplinas, mas a integração articulada dos componentes curriculares do ensino médio”, disse Callegari.
Espescialistas são enfáticos em dizer que a redução de disciplinas só irá agravar o problema. A reorganização, de forma integrada, seria positiva. “Se o objetivo é melhorar somente o Ideb, excluamos todas as disciplinas e deixemos apenas português e matemática, as únicas avaliadas pelo índice”, afirma Romualdo Portela de Oliveira, doutor em educação e professor da Universidade de São Paulo.(USP). “Do ponto de vista educacional, porém, isso é ridículo.”
Klinger Barbosa Alves, secretário de Educação do Espírito Santo – um dos estados em que a nota caiu – alega que o mau desempenho do seu estado e dos outros se dá pela estrutura organizacional baseada na preparação para o vestibular e com pouca atratividade para o projeto de vida do adolescente. “A visão de que o ensino médio serve para formar pessoas para ingressar na universidade não se aplica à realidade de muitos”, disse Alves, conforme informações da Agência Brasil. “Temos consciência de que os conteúdos e as habilidades que os estudantes precisam desenvolver não cabem mais em um formato estreito de três ou quatro horas de aula por dia”, acrescentou.
(Com Agência Estado)