terça-feira, 21 de agosto de 2012

Novo dispersante para manchas de óleo usa ingredientes do chocolate




Produto ajuda a destruir manchas de petróleo após grandes vazamentos


Pelicano coberto de óleo na costa da Louisiana, EUA, durante o vazament da plataforma Deepwater Horizon, em 2010. Novo dispersante anunciado nos EUA pode reduzir danos causados às aves.

Mais de dois anos após o desastre na plataforma Deepwater Horizon, que provocou o vazamento de milhões de litros de óleo no golfo do México, cientistas anunciaram nesta segunda-feira um novo dispersante químico que usa ingredientes de alimentos como o chocolate.

Segundo os inventores, o novo produto não só consegue dispersar as manchas como utiliza conceitos usados em máquinas de lavar para impedir que o óleo grude nas penas das aves atingidas pela mancha de um eventual vazamento.

"Cada um dos ingredientes do nosso dispersante é usado em produtos alimentícios como pasta de amendoim, chocolate e chantilly", afirma Lisa K. Kemp, pesquisadora do grupo que desenvolveu o produto, anunciado durante o 244° encontro da American Chemical Society, que ocorre esta semana na Filadélfia, nos Estados Unidos. Detalhes sobre quais exatamente são os ingredientes não foram divulgados,

Mal necessário — Classificados como um "mal necessário" no caso de vazamentos no mar, os dispersantes químicos alteram a estrutura do petróleo, provocando seu afundamento. O uso desse tipo de produto no desastre da Deepwater Horizon provocou polêmica quando a BP, a empresa responsável pela plataforma, utilizou em larga escala dispersantes acusados por grupo de ambientalistas de serem tão nocivos quanto o óleo.

No Brasil, a Transpetro, subsidiária da Petrobras para a área de logística, foi multada em abril pelo Ibama por usar um dispersante a menos de dois quilômetros da costa.

Segundo os criadores do novo dispersante, embora o produto tenha a mesma função que a de outros dispersantes polêmicos, sua diferença está na capacidade de minimizar um dos efeitos mais nocivos das manchas de óleo no mar, a morte de aves.

"Outros cientistas estão trabalhando em novos dispersantes e absorventes de óleo, mas nenhum é parecido com o nosso. Ele não só 'quebra' as manchas como previne que o óleo atinja pássaros e outros objetos", disse a Kemp.

Lavagem de roupas — Um protótipo já foi desenvolvido e agora a equipe busca parceiros para o projeto e clientes que estejam dispostos a testar o dispersante. Segundo a equipe que desenvolveu o produto, o novo dispersante foi baseado em antigos princípios que foram usados décadas atrás para desenvolver os detergentes utilizados na lavagem de roupas. Um dos ingredientes, por exemplo, é um polímero especial que gruda na superfície das manchas de óleo para impedir que elas grudem nas penas das aves.

Polímeros similares são usados na indústria de detergentes para impedir que óleo e a gordura removidos durante um ciclo de lavagem voltem a manchar as roupas durante o ciclo de enxague.

"Pássaros podem pousar as manchas do óleo já disperso, podem mergulhar nelas para depois alçar voo tranquilamente, já que o óleo vai se soltar quando eles baterem as asas", diz Lisa Kemp.

Segundo a pesquisadora, quando detergentes comuns são usados nas aves para remover o óleo que ficou incrustrado nas penas, ele acaba danificando a penugem e deixa os animais mais suscetíveis a sofrer de hipotermia. Algumas estimativas apontam que 225.000 aves morreram no Estado americano do Alasca por causa do vazamento provocado pelo superpetroleiro Exxon Vadlez, em 1989.