Presidente americano afirmou que intervenção vai ocorrer se for comprovado o deslocamento de armas químicas
Obama afirmou que o uso de armas químicas pode forçar os Estados Unidos a lançar uma ação militar no país (Larry Downing/Reuters)
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou nesta segunda-feira o governo doditador Bashar Assad que qualquer deslocamento de armas químicas na Síria fará com que seu governo considere uma ação militar no país, possibilidade até agora descartada. “Deixamos bem claro que para nós há algo que seria decisivo, caso vejamos que as armas químicas caem nas mãos das pessoas erradas. Isso mudaria significativamente minha avaliação (da situação)”, disse Obama em aparição surpresa na sala de imprensa da Casa Branca.
Entenda o caso
• Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
• Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
• A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.
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Respondendo a uma pergunta sobre o arsenal sírio, Obama disse que “até agora não ordenamos uma ação militar no país, mas há algo que é crítico para nós, que a questão das armas químicas”. O presidente reiterou sua preocupação com o uso de armas químicas na região. "Não é apenas um tema que diz respeito à Síria, mas também aos nossos aliados mais próximos na região, incluindo Israel. Não podemos ter uma situação em que armas químicas ou biológicas caiam nas mãos das pessoas erradas", afirmou. O presidente americano lamentou que Assad tenha “duplicado a violência” contra o povo, e admitiu que a possibilidade de uma transição política rápida para o país “parece bastante distante”.
O governo de Obama manteve durante meses uma pressão diplomática e financeira para forçar a saída de Assad do poder, complementada com uma assistência não-militar à oposição estimada em US$ 25 milhões, e uma assistência humanitária à população que já chega a US$ 76 milhões. Segundo relatório publicado em julho pelo The Wall Street Journal, a Síria começou a mover para outros locais parte de seu arsenal de armas químicas, embora os americanos afirmem que, por enquanto, não viu nenhum sinal que confirme a hipótese.
Imprensa - Uma jornalista japonesa foi morta nesta segunda-feira quando cobria os confrontos em Aleppo, enquanto dois repórteres árabes e um terceiro turco foram considerados desaparecidos nesta cidades, indicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). A jornalista japonesa foi morta em Sleiemane al-Halabi, bairro do leste de Aleppo onde violentos combates eclodiram nesta manhã entre tropas do governo e rebeldes. A ONG, com sede na Grã-Bretanha, indica apenas que um dos dois repórteres árabes é uma libanesa e o outro é um jornalista árabe que trabalha para uma empresa americana.
(Com agências EFE e France-Presse)