quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Após reunião, Colômbia e Farc prometem acordo de paz


Esta é a quarta tentativa do governo colombiano de negociar com a guerrilha


Ivan Marquez, um chefe guerrilheiro, ao lado do embaixador cubano para o Canadá Carlos de Cossio e os negociadores do governo Humberto de la Calle e Sergio Jaramillo durante as conversas sobre o acordo de paz em Oslo (Jorgen Braastad / AFP)

O governo colombiano e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) prometeram nesta quinta-feira trabalhar juntos para tentar pôr fim ao último grande conflito armado da América Latina. As duas partes iniciaram oficialmente na quarta-feira as primeiras negociações em 10 anos em Oslo, na Noruega. Apesar da expectativa em torno das conversações, nada garante – muito menos a narcoguerrilha – que esta tentativa não corre o risco de terminar como as anteriores.

A próxima reunião para negociações acontecerá em Havana (Cuba), em 15 de novembro, anunciaram as duas partes, que se disseram comprometidas com a iniciativa. O tema agrário será o primeiro discutido nessas negociações, afirmou o representante de Cuba, lendo uma declaração conjunta. Espera-se que o diálogo dure meses, e com poucas informações divulgadas durante o processo.

Este é o quarto processo de paz que a Colômbia inicia nas últimas três décadas. O último, sob o comando do presidente Andrés Pastrana, terminou em fracasso. As autoridades determinaram o fim do diálogo por considerar que a guerrilha aproveitou a desmilitarização de parte do território colombiano para se reforçar.

O presidente Juan Manuel Santos avisou os narcotraficantes desde o início do processo atual que não haveria cessar-fogo durante as negociações - o que voltou a ser ressaltado pelos negociadores do governo nesta quinta. No último domingo, as Farc dinamitaram duas torres de energia em uma zona rural do departamento colombiano de Norte de Santander, na fronteira com a Venezuela.

O negociador chefe do governo, Humberto de la Calle, rejeitou ainda a solicitação das Farc por uma discussão social ampla. "Não vamos discutir propriedade privada ou reforma econômica", avisou.