sábado, 6 de outubro de 2012

Bisfenol A ligado a distúrbio hormonal em grávidas e bebês


Segundo estudo, altos níveis do composto na urina desses indivíduos estão relacionados a quadros semelhantes aos de hipertireoidismo e hipotireoidismo


Mãe e filho: Bisfenol A na gravidez pode prejudicar sistema endócrino de ambos (Thinkstock)

A exposição de grávidas ao bisfenol A (BPA), um composto químico frequentemente utilizado na fabricação de produtos de plástico e latas de alumínio que condicionam alimentos, está associada a alterações nos níveis de hormônios da tireoide tanto nas mulheres quanto em seus bebês. Tal interferência, segundo especialistas, pode desencadear problemas comohipertireoidismo ou hipotireoidismo. É o que conclui um estudo realizado na Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos, e publicado nesta quinta-feira no periódicoEnvironmental Health Perspectives.


CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Maternal Urinary Bisphenol A during Pregnancy and Maternal and Neonatal Thyroid Function in the CHAMACOS Study

Onde foi divulgada: periódico Environmental Health Perspectives

Quem fez: Jonathan Chevrier, Robert Gunier, Asa Bradman,Nina Holland,Antonia Calafat, Brenda Eskenazi e Kim Harley

Instituição: Universidade da Califórnia, Berkeley, Estados Unidos

Dados de amostragem: 335 grávidas e seus bebês

Resultado: Grávidas e recém-nascidos com maiores níveis de BPA na urina têm menores níveis dos hormônios T4 e TSH, respectivamente, indicando problemas de hiper e hipotireoidismo.

Essa não é, porém, a primeira vez em que um estudo aponta para os efeitos negativos à saúde provocados pela exposição ao BPA. Segundo pesquisas anteriores, como o composto é um desregulador endócrino — ou seja, uma vez no organismo, a substância imita a ação de certos hormônios naturais —, ele tem o potencial de desencadear condições como obesidade, puberdade precoce, distúrbios de comportamento e até câncer de mama. Por esse motivo, e com o objetivo de reduzir o contato dos bebês com tal substância, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em setembro de 2011, a comercialização de mamadeiras com a presença de bisfenol A.

Leia também: Como manter o bisfenol A longe de seu filho

Avaliação — Nesse estudo, os pesquisadores acompanharam 335 gestantes durante a segunda metade da gravidez. Ao longo desse período, eles coletaram amostras de urina dessas mulheres e também de seus bebês logo após o nascimento. Todas as grávidas faziam parte do Centro para Avaliação de Saúde de Mães e Crianças de Salinas (Chamacos, sigla em inglês), coordenado por pesquisadores da própria Universidade da Califórnia.