Filme é indicado para os apaixonados por cinema ou interessados em entender as transformações que a tecnologia vem promovendo na sala escura
Keanu Reeves e Martin Scorsese em cena do filme 'Lado a Lado' (Reprodução)
A revolução digital que afeta o mundo inteiro interfere também no cinema. Em pouco tempo, a previsão é de que a película, o celuloide, deixe de existir, suplantada pela captação digital de imagens. Alguns cineastas ainda resistem a entrar de vez na onda, como Christopher Nolan, diretor de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Por enquanto. Na programação da 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o documentário Lado a Lado, de Chris Kenneally, procura registrar esse momento de transição.
O mais curioso -- ou espantoso -- é que o narrador e condutor das entrevistas seja Keanu Reeves. Às vezes, sua voz soa robótica como em suas atuações, mas em geral ele faz boas perguntas. Também ajuda o fato de que ator e diretor tiveram acesso a fontes importantes como George Lucas, James Cameron, David Lynch, David Fincher e Martin Scorsese. Junto com técnicos também afetados pela revolução digital, eles dão depoimentos e opiniões sobre o momento de mudança que mexe com a captação das imagens e até com a fotografia, a correção de cores, a edição, a criação de imagens (por meio do CGI), o 3D, a projeção nos cinemas e a exibição em outros meios, como tablets e telefones.
Um dos entrevistados, o diretor de Sin City, Robert Rodriguez, compara a filmagem em película a “pintar um quadro com as luzes apagadas”. Isso porque, depois de registradas as imagens, elas precisavam ser reveladas e só voltavam ao set no dia seguinte. O diretor de fotografia era considerado uma espécie de mago que fazia a imagem acontecer. Hoje, tudo o que é filmado é visto na hora, não é preciso fazer figas para a imagem dar certo.