O curador do Jabuti, José Luiz Goldfarb
O curador do Prêmio Jabuti, José Luiz Goldfarb, admitiu que as regras do concurso podem ser alteradas para o próximo ano. O tema deve ser discutido pelo conselho curador após a entrega dos prêmios deste ano, marcada para 28 de novembro. “Ao final de cada premiação, o conselho curador se reúne para discutir e aprimorar a edição seguinte”, disse, sem explicitar em que direção se daria uma possível mudança no regulamento. De acordo com ele, a controvérsia desta edição, em que um dos jurados manipulou os resultados da categoria romance, dando nota 10 aNihonjin, do estreante Oscar Nakasato, que saiu vencedor, e notas mínimas para os seus concorrentes, deve entrar em pauta, mas o resultado do Jabuti não será revisto.
Durante a reunião do conselho, também serão analisadas a atuação do júri e a possibilidade de o jurado “C” ser banido das próximas edições do prêmio. “Tudo será discutido na reunião”, disse. Segundo o jornal Folha de São Paulo, o jurado seria o editor e crítico Rodrigo Gurgel, que é conhecido por sua severidade e rigor e vem sendo jurado do Jabuti desde 2009. Até 2011, os jurados podiam atribuir notas entre 8 e 10. A partir deste ano, o júri pôde atribuir notas a partir de zero, e o jurado malandro se aproveitou da novidade para dar valores baixíssimos para os que não queria que ganhassem.
O Prêmio Jabuti vem enfrentando problemas há três edições. Em 2010, Leite Derramado, de Chico Buarque, levou o prêmio principal da premiação, Livro de Ficção do Ano, após ficar em segundo lugar na categoria romance. Isso era possível porque os três primeiros colocados em cada categoria de ficção disputavam o título principal do Jabuti, de Livro do Ano, e nessa disputa eram julgados por pessoas diferentes. A explicação foi dada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), que organiza o Jabuti, e se baseava nas regras, mas não convenceu. A Record, editora do vencedor da categoria romance, Se Eu Fechar os Olhos Agora, de Edney Silvestre, acusou o Jabuti de escolher os vencedores segundo “critérios políticos” e ameaçou romper com a premiação. O Jabuti então mudou seu regulamento, que agora só permite que os primeiros colocados em cada categoria de ficção concorram pelo título de Livro do Ano.
No ano passado, novo problema: três livros foram desclassificados por não atender a regras do prêmio. Dois deles não eram inéditos e o outro, a tradução de uma obra não ficcional, estava concorrendo na categoria tradução, onde só são permitidas ficções.
Mesmo com as adversidades, Goldfarb tentou contemporizar. “O prêmio tem 54 anos e está revelando autores. É uma ótima oportunidade para ler o livro (Nihonjin).”
Meire Kusumoto