quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Gastos desnecessários com saúde chegam a 800 bilhões de dólares ao ano nos EUA, dizem médicos


Profissionais americanos se opõem à política de saúde do país. Para o grupo, governo desperdiça muito dinheiro com tratamentos em excesso


Saúde: Gastos com tratamentos de doenças são excessivos nos EUA e prejudicam os pacientes, afirmam médicos americanos (Thinkstock)

Um artigo publicado nesta semana no periódico British Medical Journal (BMJ) descreve um novo movimento da classe médica americana que está desafiando os rumos da saúde pública nos Estados Unidos. Segundo esses médicos, está errado o pressuposto do governo de que “quanto mais gastos, melhor” — eles estimam que o gasto desnecessário com cuidados de saúde no país alcança 800 bilhões de dólares todos os anos, o equivalente a 30% de todo o investimento feito na área pelo governo americano.

De acordo com esse grupo de médicos, o desperdício se deve a diversos fatores, tanto em relação ao uso excessivo de testes de triagem quanto a uma epidemia crescente de realização de cirurgias questionáveis. Para eles, o principal problema nessa questão é o excesso de tratamento médico feito no país — o que, além de aumentar os gastos em saúde, pode prejudicar os pacientes. Estima-se que, nos Estados Unidos, 30.000 pessoas morram por ano em decorrência de tratamentos extremamente agressivos.

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Razões — Na visão dos médicos, entre os fatores que explicam esse excesso de tratamento estão o medo de o profissional ser acusado de negligência, o crescente número de “pesquisas tendenciosas”, uma maior demanda dos próprios pacientes, a inclusão de tecnologias sem comprovação de eficácia na prática clínica e a não informação aos pacientes sobre os possíveis danos de determinados tratamentos. A maioria dos profissionais acredita que uma reforma radical na forma como os médicos são pagos no país é necessária para reduzir o problema.

Os profissionais deixam claro, porém, que o que eles vêm discutindo não é um racionamento dos gastos de saúde, mas sim a proposta de um “limite aos gastos direcionados a cuidados de saúde desnecessários e prejudiciais”, segundo disse Diane Meier, professora da geriatria na Faculdade de Medicina Mount Sinai, nos Estados Unidos. Com o fim do desperdício de gastos, segundo os médicos, seria possível investir mais em outras áreas da saúde, como a prevenção de doenças, por exemplo. Para os profissionais, o passo que deve ser dado agora é mobilizar toda a classe médica em torno da ideia de que o excesso de tratamento, na verdade, é negativo para o paciente.

Discussão — O texto, escrito pela jornalista Jeanne Lenzer, também anuncia que está prevista para setembro de 2013, nos Estados Unidos, uma conferência internacional sobre os excessos de diagnósticos, tratamentos e gastos em saúde no país. O evento, chamado Preventing Overdiagnosis (Prevenindo Sobrediagnósticos, em português), será organizado pelo Instituto Dartmouth para Políticas em Saúde e Prática Clínica em parceria com o BMJ e a Universidade Bond, da Austrália.