Ban Ki-moon ligou para o primeiro-ministro do país, Najib Mikati, para dar condolências e elogiar a forma como o governo reagiu ao atentado que matou o chefe da inteligência da polícia libanesa, Wissam al-Hassan
(Michael Loccisano/AFP)
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse, neste sábado, estar solidário ao povo libanês. Segundo a Organização, o secretário conversou por telefone com o primeiro-ministro do Líbano Najib Mikati. Ban Ki-moon expressou suas condolências e elogiou a forma como o premiê, o governo e o presidente do Líbano reagiram ao atentado de sexta-feira, que causou a morte do chefe da inteligência da polícia libanesa, Wissam al-Hassan, e de outras sete pessoas.
Na sexta, Ban Ki-moon e o Conselho de Segurança da ONU condenaram o atentado. Eles convidaram os libaneses a exercer contenção e preservar a unidade nacional do Líbano. O ataque provocou um terremoto político no Líbano. Mas, apesar dos pedidos de renúncia, o primeiro-ministro optou por permanecer em seu posto pelo interesse nacional e para evitar um vácuo político.
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A oposição libanesa convocou uma grande manifestação contra a Síria durante o funeral no domingo do general Wissam al-Hassan. Hassan era ligado a Saad Hariri, líder da oposição libanesa hostil ao regime de Bashar Assad na Síria, e era considerado um dos principais candidatos para assumir o comando do serviço de inteligência das Forças de Segurança Interna no final do ano. Ele era aparentemente o alvo do ataque, o mais grave registrado em Beirute em pelo menos quatro anos.
O Líbano ainda está se recuperando de uma guerra civil que durou 15 anos. O fim do conflito, em 1990, não significou o fim dos assassinatos e da tensão sectária entre sunitas, xiitas, cristãos e outros. O atentado desta sexta aumenta o temor de que o conflito da vizinha Síria esteja se alastrando. No Líbano, comunidades religiosas se dividem entre as que apoiam Assad e aquelas que estão do lado dos rebeldes.
EUA e ONU condenam - Os Estados Unidos condenaram o que classificaram de "aparente ato de terrorismo" no Líbano. “Não há justificativa para tal violência”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland. O Conselho de Segurança da ONU também condenou o atentado e exigiu o fim das tentativas de desestabilizar o Líbano por meio de assassinatos políticos.
Brahimi pede trégua- Lakhdar Brahimi, nomeado mediador internacional para a Síria, encontrou neste sábado, em Damasco, o chefe da diplomacia síria, Walid Muallem, com o objetivo de obter um cessar-fogo. Durante a reunião, Walid Muallem e Brahimi discutiram sobre o fim da violência e a preparação do clima para um diálogo global.
O emissário internacional também se encontrou como membros da oposição tolerada pelo regime, entre eles Hasan Abdel Azim, porta-voz do Comitê de Coordenação para a Mudança Nacional e Democrática (CCCND). A visita do mediador ocorre no momento em que o presidente Assad foi apontado como responsável pelo ataque que matou o chefe da inteligência da polícia libanesa em Beirute, o que provocou condenações internacionais.
(Com agência France-Presse)