Integrante da executiva municipal diz que Partido Verde não deixará de ser oposição na nova gestão do PMDB na cidade
Aspásia Camargo, do PV, em agenda de campanha ao lado de candidatos a vereador (Eny Miranda/Divulgação)
A coligação de 20 partidos que elegeu Eduardo Paes não sabe como – e se – vai participar do segundo mandato do prefeito, eleito com dois milhões de votos. Mas, se depender de Paes, mais um grupo poderia compor a base aliada. Paes faz um movimento de aproximação com o PV, que disputou a eleição para prefeito com a deputada estadual Aspásia Camargo. Como é autoridade nos temas ligados a meio ambiente e sustentabilidade, Aspásia poderia ganhar a secretaria de Meio Ambiente do município, que atualmente é ocupada pelo vice-prefeito, Carlos Alberto Muniz (PMDB). Pelo que afirmam os verdes, no entanto, a aproximação não é bem-vinda. Ou não é bem-vinda por enquanto.
“Recebemos com alguma surpresa essa declaração. Fizemos oposição construtiva no primeiro governo dele”, afirmou Roberto Rocco, vice-presidente do PV no município e também secretário de organização da executiva estadual e secretário de mobilização do PV nacional. Na quinta-feira, os representantes do partido na cidade vão se reunir e, entre outros temas, discutir a postura a adotar em relação ao PMDB. “Seria uma honra estar à frente da secretaria de Meio Ambiente, mas o projeto de poder peemedebista nos desestimula. Esse poder avassalador não nos interessa. Somos oposição e deveremos continuar a ser”, afirmou Rocco ao Site de VEJA.
Ao jornal O Globo, Paes declarou sua simpatia pelo PV. “É um partido que me encanta. Temos uma aliança grande, e meu objetivo é juntar forças, porque a cidade é muito diversa”, disse o prefeito. A amizade, nesse sentido, certamente cresceu durante os debates entre os candidatos à prefeitura na campanha deste ano. Enquanto dois dos candidatos bombardeavam o alcaide com críticas e ataques – Rodrigo Maia, do DEM, e Marcelo Freixo, do PSOL – a candidata do PV facilitava a vida do prefeito. E, não por acaso, era escolhida por Paes como alvo de perguntas igualmente gentis, para as quais tinha réplicas em que falava dos programas peemedebistas na prefeitura.
Em 2008, o cenário era totalmente diferente. O PV, que disputou a eleição com Fernando Gabeira, era o principal adversário de Paes. Fernando Gabeira levou o PV ao segundo turno e acabou derrotado por uma pequena diferença de 55 mil votos. No último pleito, no entanto, Aspásia não conseguiu repetir o feito: só conseguiu 1% dos votos.
“Rivalizamos nas últimas eleições (a de 2008 e de 2010 com Gabeira, respectivamente, candidato à prefeitura e ao governo do estado). Seria incoerente entrarmos no barco carregado de siglas partidárias”, disse Rocco. Alguns integrantes do PV concordam que Aspásia não foi uma boa escolha. Mas acreditam que não poderia deixar de ter um verde na disputa deste ano para o executivo da cidade – por causa da Rio+20 e das boas votações que a sigla vinha conquistando. A verdade é que, sem Gabeira e Marina, o PV mostrou que estava amparado por um personalismo forte. A eleição de 2012 testou a força da sigla por ela mesma.
O Partido Verde, que tinha conquistado três cadeiras na câmara dos deputados em 2008, caiu para oito, principalmente pela falta do voto de legenda. O único vereador que representará o partido a partir de 2013 será Paulo Messina, o antepenúltimo colocado, reeleito com 10 mil votos. Se ele fosse para uma secretaria do governo Paes, abriria espaço para Sônia Rabello, que não conseguiu se manter na casa. Messina, nesta terça-feira, discursou na Câmara dos Vereadores para estancar as especulações.
“Estamos juntos com coisas boas e contra o que for ruim. Não abriremos mão da nossa posição de independência por causa de uma secretaria”, afirmou Messina, acrescentando. “Nossa aliança não precisa de cargo, mas de programa e projeto. Queremos aliança no nível das ideias. Queremos que nossas sugestões sejam aceitas, mas não precisamos de cargo para votar contra a ou a favor”, disse ele. Messina votou com o governo na Câmara em diversos momentos. “Votamos a favor de várias coisas, como a reforma do porto. Mas contra a taxa de luz, por exemplo. Isso vai de acordo com o que achamos melhor”, afirmou.
O deputado federal Alfredo Sirkis, liderança do PV, disse que não falará sobre especulação. “Vimos como uma gentileza. Paes foi gentil com adversários. É uma discussão na qual não vou entrar. Somente agradecemos a gentileza”.