Grupo britânico. popular nos anos 1990, fez sua primeira apresentação no Brasil na noite desta quarta-feira, na casa de shows Via Funchal
O vocalista da banda Pulp, Jarvis Cocker (Getty Images)
Desde que voltou aos palcos, em meados do ano passado, a banda Pulp, um dos grandes nomes do britpop, tem iniciado seus shows com uma música que brinca com as lembranças dos fãs. Quando o vocalista performático Jarvis Cocker começa a cantar Do You Remember the First Time? (Você se lembra da primeira vez?), faz da frase uma pergunta real aos espectadores. Mas, no caso da cidade de São Paulo, onde o grupo britânico se apresentou na casa de shows Via Funchal, na noite desta quarta-feira, era mesmo a primeira vez. E Cocker fez questão de fazer com que os fãs se lembrassem.
Embora a banda tenha se formado ainda no fim dos anos 1970, só fez sucesso nos anos 1990. E, ao contrário de grupos que ficaram populares também com o estouro do britpop, como o Oasis, que continuaram sua carreira nos anos seguintes, o Pulp acabou em 2002. O clima de nostalgia e a década de ausência poderiam fazer com que o show apresentasse apenas um espectro do que a banda foi um dia. Mas não. Dez anos depois, impressiona ver como o grupo não só parece nunca ter abandonado os palcos, como também nunca deixou de ser admirado pelos fãs, que se lembram de cada frase das músicas como se elas tivessem tocado no rádio ontem.
O responsável pela energia da apresentação é Cocker, que dá um show à parte. Aos 49 anos, o vocalista ainda tem gás e corpo de moleque, e sai rebolando, simulando um strip-tease e subindo em partes da estrutura do palco com a maior facilidade do mundo, sem deixar de interagir com a plateia -- em várias ocasiões, mostrou que havia estudado o dicionário de língua portuguesa e saiu falando palavras e expressões como "massa" (gíria para "legal"), "show de bola" e "balada". Foi também assim que ele apresentou o maior hit da banda, Common People, música que, nas palavras do próprio vocalista, fala sobre "pessoas comuns".
Também estiveram presentes no repertório outras queridinhas dos fãs, como Disco 2000, Razzmatazz e Babies. Em duas horas de show, a banda conseguiu cobrir boa parte de sua carreira, e ainda fez um agrado aos fãs, voltando duas vezes para o bis.
Crise - Pelo jeito, não são só as grandes estrelas como Madonna e Lady Gaga que andam com dificuldade de encher shows no Brasil. Nesta quarta-feira, a Via Funchal -- casa de shows que deve fechar no fim do ano --, que tem capacidade para 6.000 pessoas, não aparentava ter metade disso.