quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Um ano após queda de prédio em BH, moradores esperam esclarecimentos



O desabamento do prédio da Rua Laura Soares, no bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, completou um ano nesta quinta-feira (10). O edifício, com seis apartamentos, estava interditado desde outubro de 2011, e deixou os moradores dos seis andares do imóvel sem esclarecimentos sobre o caso.

Os pedidos de justiça estão estampados nas faixas dos muros que ficavam abaixo do prédio. Rita Piumbini morava no local com os dois filhos e convive com a incerteza e o vazio causado pelo incidente. “O vazio a gente administra, de alguma forma, porque a vida tem que continuar. A incerteza é pior. A incerteza de ter seus direitos restabelecidos, a decepção de saber que você, como consumidor, como pessoa de bem, não tem direitos. A verdade é essa”, desabafa.

A advogada dos moradores, Karen Teixeira, diz que a questão demora a ser resolvida por causa das interrupções no processo. “A construtora pede reiteradamente pedidos de esclarecimentos para o juiz, coloca quesitos suplementares que alteram todo o escopo da perícia realizada”, diz. Segundo Rita, há 15 anos o prédio já trincava e mostrava sinais de problemas. “A gente tem foto, tudo documentado no processo”, explica.

Na época do desabamento, um bloco do condomínio ao lado do imóvel foi demolido e o outro, ainda em construção, continua interditado. A prefeitura está fazendo obras de contenção no terreno que fica em frente a Rua Laura Soares e a Avenida Protársio de Oliveira Penna.Alguns moradores da região reclamam do transtorno causado pelas obras, que intensificam o trânsito local.

O Secretário Estadual de Obras e Infraestrutura, Lauro Nogueira, afirma que as obras vão ser concluídas em março. “ É um preço pequeno em nome da garantia da segurança a longo prazo”.
Enquanto esperam o desfecho, os moradores recebem, por determinação da justiça, R$ 1500 por mês da construtora. “É um valor que não cobre o aluguel,. O meu aluguel é bem mais alto. Eu achei que era um direito meu, no mínimo, continuar num apartamento de três quartos”, reclama Rita.

A Estrutura Engenharia, responsável pelo prédio que desabou, informou que aguarda a conclusão da perícia judicial para saber o papel da construtora, da prefeitura e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Segundo a Copasa, quando apareceram as trincas no imóvel, os trabalhos necessários foram realizados e estudos técnicos comprovaram que a empresa não tem responsabilidade sobre o que houve. De acordo com o secretário de infraestrutura da prefeitura, a rede de drenagem da rua, apontada pelos moradores como insuficiente, tem capacidade para suportar a demanda, mas mesmo assim está passando pó uma revisão.