domingo, 27 de outubro de 2013

Elétricas voltam a apanhar na bolsa com possível regulação “Setor teve um ano acidentado desde setembro de 2012 e mais barulho não ajudaria”, afirma BTG em relatório




Torre de energia: alguns operadores poderiam se beneficiar da novidade, segundo o BTG

São Paulo – Os papéis das elétricas estiveram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta manhã, após informações sobre a renovação das concessões de distribuição – que poderia sair diferente do esperado pelas empresas e por investidores. A informação, se confirmada pelo governo, pode ter sérias implicações para alguns distribuidores, segundo relatório doBTG Pactual assinado por Antonio Junqueira e João Pimentel.

Na noite de ontem, reportagem do jornal O Estado de São Paulo afirmou que o governo estaria preparando uma nova medida para reduzir os preços da energia elétrica, através, das concessões de distribuição. De acordo com a reportagem, as 42 distribuidoras de energia cuja concessão termina entre 2015 e 2017 devem ter duas alternativas: empresas que possuem concessões que vão fazer 50 anos entre 2015 e 2017 teriam os contratos encerrados e novos termos seriam celebrados por meio de licitação. As concessões mais recentes, que farão 20 anos, teriam a possibilidade de renovação, com regras distintas das atuais. A reportagem cita distribuidoras vinculadas às companhias estaduais Cemig, Copel, Celesc e Celg e concessionárias controladas pela Eletrobrás.

Em relatório, o BTG apresenta dois cenários para Cemig, Copel e Celesc: o primeiro pressupõe que a empresa teria que demitir todos os seus funcionários e o segundo, que os funcionários seriam transferidos para o novo concessionário. A Cemig perderia nos dois cenários (cerca de 4 reais e 2 reais por ação) e, para a Copel, o primeiro cenário seria um pouco negativo e o segundo poderia elevar o valor da ação em até 7 reais, de acordo com o relatório.

Quem ganha

Alguns operadores poderiam se beneficiar da novidade, caso ela seja confirmada. O BTG cita Equatorial, CPFL, Neoenergia “e outras”, mas faz a ressalva de que há algumas questões que ainda precisariam ser respondidas, quanto a quem seria o responsável pelo passivo das concessões e em quais termos eles poderiam operar os ativos.

De acordo com o BTG, a notícia preocupa mais por causa da volatilidade que pode criar para alguns nomes no curto/médio prazo. “O setor teve um ano acidentado desde setembro de 2012 e mais barulho não ajudaria”, afirma o relatório. Opinião parecida com a de Ricardo Correa, da Ativa Corretora, para quem a notícia deveria repercutir negativamente sobre o setor, “em especial pelos recentes atos do governo que deterioram o sentimento dos investidores quanto às empresas”, conforme afirmou em comentário diário.