segunda-feira, 31 de março de 2014

Rio de Janeiro Maré está tão pacificada quanto o Alemão e a Rocinha

Próximos dias serão determinantes para a população perceber até que ponto os traficantes abriram mão do território e dos lucros do crime


Sérgio Cabral, José Mariano Beltrame e Pezão no Centro de Comando e Controle, durante ocupação do Complexo da Maré(Divulgação)

A ocupação do Complexo da Maré se deu em poucos minutos, sem reação dos bandidos – assim como no Alemão e na Rocinha. Blindados da Marinha transportaram policiais em segurança e dão suporte à ação - como nas duas favelas e em outras ações recentes. A população, agora, aguarda os próximos dias para perceber os limites exatos da pacificação e até que ponto os bandidos abriram mão daquele território – exatamente como nas outras grandes favelas. Afirmar que as 15 favelas ocupadas estão “pacificadas” significa uma conquista, pois a entrada das tropas deve ser comemorada; mas é também equiparar aquela área a locais que, apesar de ocupados, vivem em permanente tensão.

O sigilo necessário às estratégias da segurança faz com que o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, fale pouco além do mínimo necessário. Mas Beltrame até recentemente recusava qualquer mudança no curso da “pacificação”, o que significava, em linhas gerais, manter as ocupações a toque de caixa, com policiais recém-formados, e ajustes pontuais. O desejável é que, na Maré, a coisa funcione de forma diferente do Alemão e da Rocinha – as duas grandes UPPs mergulhadas em problemas, entre eles a tortura e o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza e as mortes de policiais atacados por bandidos.

Há alguns graves complicadores na situação da Maré. Como ressaltou Beltrame esta manhã, naquela área há coexistência de duas facções de tráfico que brigam entre si. E há ainda os milicianos. "Nós estávamos deixando mais para frente, justamente porque não é um trabalho trivial", afirmou. Já o governador Sérgio Cabral lembrou que, com cerca de 130.000 moradores, o Complexo da Maré é uma “cidade dentro da cidade”.