domingo, 27 de abril de 2014

Escassez em Cuba chega a preservativos



Preservativos estão em falta em Cuba

Os cubanos se acostumaram a conviver com escassez. Sabonete, papel higiênico e até mesmo a cerveja nacional Cristal são alguns dos produtos básicos que, recentemente, sumiram das prateleiras.

Rumores tomam as ruas na busca por explicações - a fábrica está contaminada, o Estado não pode pagar seus fornecedores - até que os produtos, silenciosamente, reaparecem.


Um pacote com três preservativos, fortemente subsidiado pelo serviço público de saúde, geralmente custa um peso cubano (US$ 0,04).Mas ao menos você sabia que encontraria preservativos nas prateleiras. Até agora.

Mas uma mulher que esperava um ônibus em Havana reclamou que tentou recentemente buscar o produto na farmácia e não o encontrou.

O problema parece ser generalizado.

Há quase um mês, o jornal sindical Trabajadores noticiou a escassez de preservativos na província de Santiago de Cuba, no leste do país.

Farmácias e cafés estatais que vendem preservativos estão há quase três meses sem tê-los.

"(A falta) gera grande preocupação, pelo nível de infecção de doenças sexualmente transmissíveis e Aids", disse o jornal, ao informar que as contaminações estavam aumentando.

Depois veio o jornal Vanguardia, de Villa Clara, que destacou "as ausências perigosas", citando o desabastecimento completo de preservativos.

Segundo o jornal, houve um ligeiro aumento de casos de sífilis na região neste ano.
A explicação oficial

Ao contrário de papel higiênico, sabão ou cerveja, agora há pelo menos uma explicação oficial para a escassez. De acordo com a mídia estatal, um grande carregamento de preservativos chineses "Momentos" chegou com data de validade de 2012.

No entanto, de acordo com o fabricante, os produtos eram, na verdade, válidos até 2014, o que foi confirmado pelos controladores de qualidade de Cuba.

Uma operação foi iniciada para alterar a data de cada pacote – um processo lento e responsável pela falta dos produtos nas prateleiras.

O que não foi explicado é por que levou-se tanto tempo para iniciar o processo de correção das embalagens, se, como o Vanguardia disse, o erro foi detectado em 2012.

E, agora, os problemas de abastecimento chegaram a Havana.

No bairro central de Vedado, nenhuma das três farmácias ou dos três cafés estatais visitados pela BBC tinha preservativos à venda.

Todos os estabelecimentos disseram que a falta já durava "algum tempo".
Educação sexual

A educação sexual nas escolas cubanas começa cedo, e cubanos não têm vergonha de abordar o tema.

O fornecimento de preservativos em eventos públicos é bastante comum e consultórios médicos estão cobertos com cartazes anunciando mensagens de sexo seguro.

Portanto, há grande demanda por preservativos.

"As campanhas de conscientização sobre o HIV tiveram um grande impacto em particular", disse Yadira Alvarez, especialista do Centro de Educação Sexual (Cenesex), que diz que a escassez de preservativos é "um grande motivo de preocupação".

"Até agora a situação é estável. (Mas) esta situação (de escassez) gera um alarme".

A mídia estatal disse que o Ministério da Saúde ordenou que farmácias vendam os preservativos "Momentos" sem a mudança nas embalagens e que informem os clientes sobre o erro.