terça-feira, 10 de junho de 2014

América Latina Vice-presidente da Argentina depõe em caso de corrupção Amado Boudou afirmou ter respondido a “aspectos técnico-jurídicos"



O vice Amado Boudou chega ao tribunal (Reuters)

O vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, prestou depoimento nesta segunda-feira na condição de acusado em um caso de corrupção. Ele passou mais de nove horas no tribunal e, ao sair, afirmou que ainda tem o que dizer. “O que se abordou hoje foram aspectos técnico-jurídicos da causa. Vou ampliar meu depoimento. Guardei as questões políticas para as próximas declarações”. Esta é a primeira vez que um vice-presidente em exercício é interrogado.

A suspeita que pesa sobre Boudou é a compra de uma empresa de impressão de papel moeda na época em que era ministro da Economia. A compra teria sido realizada por um testa de ferro de Boudou que, desta forma, teria mandado imprimir notas em sua própria gráfica. A decisão do juiz sobre processar ou não o vice ainda deve demorar alguns dias, já que outras cinco audiências estão previstas para esta semana.

O vice-presidente chegou ao tribunal com o apoio de centenas de militantes kirchneristas que gritavam “força, Amado”. Fez um sinal de vitória e entrou no prédio em Comodoro Py, na província de Buenos Aires, cercado por agentes da Polícia Federal. O que não impediu que fosse abordado por uma mulher aos gritos de “ladrão”.

Os advogados de defesa tentaram convencer o juiz Ariel Lijo a permitir a gravação do depoimento – Boudou chegou a levar um operador de câmera ao tribunal – mas o pedido foi negado. Outro revés sofrido pela defesa foi a negativa de um pedido de cancelamento dos depoimentos de duas testemunhas, Nicolás Ciccone e Guillermo Reinwick, executivos da Ciccone que já afirmaram que Boudou esteve presente em reuniões que trataram sobre a venda da empresa e que o vice os persuadiu a fechar o negócio.

Entenda o caso – Em julho de 2010, uma investigação de privilégio comercial conduzida pelo Fisco argentino pediu à Justiça a quebra do sigilo da gráfica Ciccone, que mantém contratos com o governo e, entre outras atividades, vende papel moeda ao Banco Central argentino. A Justiça suspendeu o pedido três meses depois, por solicitação da própria empresa, após ter negociado um plano de pagamentos de multas com o Fisco. Uma investigação descobriu que o Ministério da Economia, pasta então ocupada por Amado Boudou, teria pressionado o Fisco a favor da empresa.

Após o episódio, a companhia foi vendida para o fundo de investimentos The Old Fund, presidida por Alejandro Vandenbroele, que é apontado como testa de ferro de Boudou, embora o vínculo tenha sido negado pelo vice-presidente. Amado Boudou deixou a pasta de Economia após as eleições de 2011 para ocupar a vice-presidência, mas as denúncias ofuscaram sua carreira política e enterraram seu desejo de suceder Cristina Kirchner na Presidência do país.

(Com agência EFE)