A presidente Dilma ao lado do presidente da Fifa Joseph Blatter durante cerimônia de abertura da Copa do Mundo realizada na Arena Corinthians, em Itaquera, na zona leste de São Paulo (SP) (Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo)
A presidente Dilma Rousseff falou nesta sexta-feira a respeito das vaias e xingamentosrecebidos na tarde desta quinta em São Paulo, durante a abertura da Copa do Mundo no estádio Itaquerão. Em cerimônia em Brasília, a presidente afirmou que não se abate com a reprovação demonstrada pelos torcedores presentes à arena paulista. "Não são xingamentos que vão me intimidar, atemorizar. Não me abaterei", disse a presidente.
Antes de comentar os xingamentos, Dilma aproveitou o discurso para atacar seus críticos - e, mais uma vez, ignorou as falhas na preparação do país para o Mundial. "Depois que superamos isso, enfrentamos os obstáculos, encaramos os problemas, demos a volta por cima. Não vou me deixar atemorizar por xingamentos que não podem sequer ser escutados pelas crianças e pelas famílias", afirmou.
A presidente também afirmou que as ofensas proferidas pelos torcedores no Itaquerão não representam o que pensa a população do país. "O povo brasileiro não pensa assim e, sobretudo, o povo brasileiro não se sente da forma como esses xingamentos expressam. O povo brasileiro é civilizado e extremamente generoso e educado. Podem contar que isso não me enfraquece. Podem contar", afirmou. Dilma ainda fez menção ao período militar, durante o qual foi presa e torturada: "Não suportei apenas agressões verbais. Foram agressões físicas quase insuportáveis, e nada me tirou do meu rumo. Nada tirou de mim os compromissos que assumi ou os caminhos que tracei para mim", afirmou.
O discurso desta sexta foi feito durante a cerimônia de inauguração da primeira etapa do Expresso DF, um novo sistema de transporte construído pelo governo do Distrito Federal com recursos do governo federal. O projeto tem um custo total de 761,4 milhões de reais. A plateia presente era controlada - e bastante amigável à presidente: apenas autoridades, funcionários da obra e militantes petistas tiveram acesso ao local. Justamente por isso, Dilma foi ovacionada ao subir para discursar.
A presidente não discursou durante a abertura da Copa justamente para evitar vaias. Mas, mesmo sem usar a palavra, a presidente foi hostilizada antes, durante e depois do jogo em que o Brasil derrotou a Croácia por 3 a 1.