domingo, 5 de outubro de 2014

Embate de Garotinho e Crivella vai definir quem enfrenta Pezão no 2º turno



Anthony Garotinho, Marcelo Crivella, Luiz Fernando Pezão e Lindbergh Farias (Divulgação/VEJA)

Na principal trincheira regional do PMDB, a máquina do governo do estado do Rio de Janeiro garantiu a redenção do partido depois dos turbulentos protestos do ano passado – o então governador Sérgio Cabral (PMDB) foi um dos principais alvos dos protestos. Mas, depois de entregar o governo em abril deste ano para o vice, Luiz Fernando Pezão (PMDB), a impopularidade nunca pareceu tão distante. Dos bastidores, Cabral assiste ao sucessor reinar no topo das pesquisas eleitorais, com projeção de vitória no segundo turno. O cenário mais provável é a disputa em segundo turno contra o ex-governador Anthony Garotinho (PR). Mas o senador Marcelo Crivella (PRB) ainda não pode ser considerado fora do páreo, segundo as mais recentes pesquisas. O senador Lindberg Farias (PT) está estacionado em quarto lugar.

Confirmada a disputa entre Pezão e Garotinho, entram em confronto dois modelos de gestão originados de um mesmo grupo político. Garotinho governou o estado, de 1999 a 2002, com apoio do PMDB, comandado por Sérgio Cabral na Assembleia Legislativa, e figuras de proa da legenda como Eduardo Cunha e Jorge Picciani. A mulher de Garotinho, Rosinha, usufruiu, de 2003 a 2006, da mesma base parlamentar. Pezão, hoje adversário da família Garotinho, foi secretário de governo de Rosinha. Enquanto o casal Garotinho se sustenta pelo voto do interior, ancorado em políticas assistencialistas, Pezão se escora principalmente na capital fluminense devido ao programa de ocupação policial de favelas, com as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), atualmente em crise.

Aliados de outrora, Garotinho e Pezão polarizaram a disputa nesta campanha. Crivella e Lindbergh atuaram em dobradinha, com a esperança de ajuda mútua em eventual disputa no segundo turno contra Pezão. Mas a situação do ex-governador é considerada a mais desafiadora, porque ele possui a maior taxa de rejeição: 48% dos eleitores dizem não votar nele em hipótese alguma. De acordo com o Datafolha, Pezão venceria Garotinho em segundo turno por 52% contra 30%. O governador também superaria Crivella, por 47% a 39%. Crivella venceria Garotinho por 49% a 30%.

Os adversários apostaram na desconstrução da imagem de Pezão, desenhada no horário eleitoral. Atuaram o tempo todo para ligá-lo aos deslizes do ex-governador Sérgio Cabral, que simplesmente sumiu da campanha. Mas o candidato do PMDB teve uma providencial recauchutagem promovida pelo marqueteiro Renato Pereira. O peemedebista usufruiu do maior tempo de televisão (8 minutos e 57 segundos) e da maior máquina de cabos eleitorais, prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e deputados.

Tamanha base de apoio foi assegurada pela tradicional atuação do PMDB de colocar os pés em mais de uma canoa. A direção regional da legenda costurou uma aliança com o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, no movimento batizado "Aezão". O acerto fez com que o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) abandonasse a pré-candidatura ao governo estadual, com quem Pezão dividia votos na capital fluminense, e garantiu a entrada de DEM, PSDB e PPS na coligação liderada pelo PMDB. Embora Crivella, Lindberg e Garotinho também apoiem a reeleição da presidente Dilma Rousseff, Pezão foi o candidato que mais fez atos de campanha com a petista e se beneficiou da campanha de aliados pelo movimento "Aezão".

Senado – Consolado com a disputa pela vaga do Rio no Senado, Cesar Maia (DEM) enfrenta dificuldade para superar o ex-jogador de futebol e deputado federal Romário (PSB). Maia recuou de 23% das intenções de voto, em meados de julho, para 20%, no começo de outubro, enquanto Romário subiu de 29% para 51% no mesmo período. Único candidato a utilizar a imagem da presidente Dilma Rousseff no material publicitário, O ex-ministro Carlos Lupi (PDT), demitido sob suspeita de envolvimento em escândalos de corrupção, caiu de 5% das preferências, para 2%