O Brasil, representado pela Aeronáutica, solicita no texto que os três governos e as empresas concorrentes -a Boeing norte-americana, a Dassault francesa e a Saab sueca- mantenham até a nova data os termos, as condições e os valores das propostas concluídas ainda no mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já atualizadas ao menos duas vezes.
Enviado via embaixadas em Brasília, no dia 20 de junho, o documento foi assinado pelo brigadeiro Carlos de Almeida Batista Júnior, presidente da Copac (Comissão Coordenadora do Programa de Aeronaves de Combate), responsável pela avaliação das propostas.
Conforme a Folha apurou, a nova postergação ocorre por ser inoportuno anunciar um gasto que pode chegar a ficar entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões (R$ 12 bilhões e R$ 16 bilhões) em um cenário de crise internacional e baixo crescimento econômico.
Esse é mais um dos recuos do Brasil no processo de renovação dos aviões de caça da FAB (Força Aérea Brasileira). O primeiro programa, chamado de F-X, no governo Fernando Henrique Cardoso, foi suspenso por Luiz Inácio Lula da Silva em 2005.
PROGRAMA
Caças Gripen da Força Aérea da Suécia no pátio da Base Aérea de Eielson, Alaska. (Foto: Staff Sgt Joshua Strang / U.S. Air Force)
Ao ser retomado, o programa ganhou o nome de F-X2 e praticamente começou do zero, até porque as próprias empresas já tinham atualizado sua oferta de aeronaves.
Após a eliminação do Sukhoi russo e do Eurofighter Typhoon europeu, sobraram na disputa o Dassault Rafale, o Boeing F-18 e o Saab Gripen.
O F-X2, porém, não teve melhor sorte do que o original F-X. Atravessou todo o segundo mandato de Lula, com direito a disputas entre empresas e governos e alguns vexames do Brasil.
Quando o então presidente francês Nicolas Sarkozy veio ao Brasil para uma solenidade do 7 de Setembro, o governo chegou a anunciar a opção pelo Rafale. Lula, porém, teve de recuar: o relatório final da FAB ainda estava sendo produzido.
Quando concluído e revelado pela Folha, o Planalto e a Defesa foram surpreendidos com o resultado: o sueco ficou em primeiro lugar, o norte-americano em segundo, e o preferido da área política, o francês Rafale, em terceiro e último.
O programa então arrastou-se e foi postergado de vez com a eleição da presidente Dilma Rousseff.
Fonte: Eliane Cantanhêde, Folha de São Paulo