O espanhol Baltasar Garzón vê falhas no processo contra criador do WikiLeaks
Garzón mandou prender o ditador chileno Augusto Pinochet (Pierre Philippe Marcou/AFP)
O juiz espanhol Baltasar Garzón, que ficou internacionalmente conhecido por pedir a prisão do ditador chileno Augusto Pinochet na década de 1990, vai liderar a equipe de defesa do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, anunciou nesta terça-feira o próprio site.
Entenda o caso
• Julian Assange é acusado de agressão sexual por duas mulheres da Suécia, mas nega os crimes, diz que as relações foram consensuais e que é vítima de perseguição.
• Ele foi detido em 7 de dezembro de 2010, pouco depois que o site Wikileaks, do qual é o proprietário, divulgou milhares de documentos confidenciais da diplomacia americana que revelam métodos e práticas questionáveis de muitos governos - causando constrangimentos aos EUA.
• O australiano estava em prisão domiciliar na Grã-Bretanha, até que em maio de 2012 a Justiça determinou sua extradição à Suécia; desde então, ele busca meios jurídicos para ter o caso reavaliado, com medo de que Estocolmo o envie aos EUA.
Assange está refugiado na embaixada do Equador em Londres e pediu asilo político ao governo de Quito após perder a batalha legal para evitar sua extradição à Suécia, onde é acusado de abuso sexual e estupro. Garzón se reuniu recentemente com Assange na embaixada para discutir a nova estratégia legal.
Conforme o comunicado do WikiLeaks, essas estratégia buscará "defender WikiLeaks e Julian Assange de abusos do processo e expor as arbitrariedades e ações extrajudiciais do sistema financeiro internacional" contra os dois. Garzón deve procurar, destaca a nota, "demonstrar que o processo secreto nos Estados Unidos contra Julian Assange comprometeu e contaminou qualquer outro processo legal, incluindo o de sua extradição".
WikiLeaks e Assange provocaram a ira dos Estados Unidos ao publicar um grande número de documentos secretos relacionados às guerras no Iraque e Afeganistão.
Julian Assange esgotou todos os recursos possíveis para escapar do pedido de extradição à Suécia
Assange teme que, uma vez extraditado à Suécia, seja enviado para os Estados Unidos para ser julgado por espionagem devido aos 250 mil despachos diplomáticos do governo americano publicados pelo WikiLeaks.
Garzón foi condenado pelo Supremo Tribunal Espanhol, em fevereiro, a onze anos de suspensão como magistrado por ter autorizado escutas entre advogados de defesa e seus clientes, no chamado caso Gurtel de corrupção política. O juiz, porém, foi absolvido das acusações de abuso de poder.
(Com agência France-Presse)