Janete Vollu: primeira Gabriela, da novela de 1961 na Tupi, foi descoberta no teatro de revista (Divulgação)
Antes de Sônia Braga e Juliana Paes, houve uma primeira Gabriela, com muito menos canela e agora envolvida numa nuvem de mistério que o tempo tratou de criar. Do nome, só ficou o artístico.
Janete Vollu era uma certa corista que em 1961 desbancou estrelas que se engalfinharam pelo papel da protagonista da primeira adaptação de um romance de Jorge Amado para a incipiente televisão brasileira, na TV Tupi. “Ela era niteroiense, tinha algo como 21 anos. Trabalhava para pagar o curso de normalista”, lembra o diretor Maurício Sherman, procurado pelo blog para reconstruir a história dessa Gabriela esquecida.

Maurício Sherman dirigiu a primeira versão de 'Gabriela', na Tupi: "Ela só faz cozinhar e transar" (Divulgação)
Sherman, hoje diretor do humorístico Zorra Total, conta que o próprio Jorge Amado, então morador do bairro de Copacabana, supervisionou a produção. “Foi ele que ajudou a escolher a atriz. Ela tinha os olhos azuis!, mas não dava para ver na TV, que era em preto e branco”, acrescenta.
Parte da faixa Grandes Romances Richard Hudnut, patrocinada pela gigante americana de cosméticos, a novela foi uma produção esmerada, que despertou a atenção dos grandes nomes da época. “Tanto é que o Mundinho Falcão era o Paulo Autran, o Tuísca era o Grande Otelo, e a Malvina, a Suely Franco. O Nacib era o Renato Consorte, que era turco de verdade! – não entendo por que o Nacib de agora (Humberto Martins) fala com sotaque baiano. Era um elenco maravilhoso, figurinos e cenários grandiosos”, orgulha-se o diretor.
Para o posto de protagonista, entretanto, Jorge Amado pediu a Sherman e ao autor, Antônio Bulhões de Carvalho, que fosse escolhida uma moça capaz de transmitir a ingenuidade da personagem. “Diversas atrizes nos procuraram querendo o papel, algumas até meio coroas, sabe… Mas ele queria uma mulher desconhecida”, anota. “Na verdade, a Gabriela precisa ser gostosa e praticamente não tem falas… Ela não participa de nada importante que acontece no romance, só faz cozinhar e transar”, diverte-se. “Não pode ser sensual demais, porque é uma moça do interior da Bahia que foi criada na base da porrada.”
Janete Vollu foi encontrada entre as vedetes do show do produtor Carlos Machado. Foi seu primeiro e último papel. “Ela chegou a se animar com a carreira e adotar o nome de ‘Gabriela Vollu’, mas logo se casou. O marido não aprovava a carreira”, diz Sherman, acrescentando que a Gabriela pioneira morreu jovem, aos 34 anos, sem deixar imagens. É que as imagens da novela, um dos primeiros programas gravadas em videoteipe, não se perderam no tempo.
Antes de Sônia Braga e Juliana Paes, houve uma primeira Gabriela, com muito menos canela e agora envolvida numa nuvem de mistério que o tempo tratou de criar. Do nome, só ficou o artístico.
Janete Vollu era uma certa corista que em 1961 desbancou estrelas que se engalfinharam pelo papel da protagonista da primeira adaptação de um romance de Jorge Amado para a incipiente televisão brasileira, na TV Tupi. “Ela era niteroiense, tinha algo como 21 anos. Trabalhava para pagar o curso de normalista”, lembra o diretor Maurício Sherman, procurado pelo blog para reconstruir a história dessa Gabriela esquecida.
Maurício Sherman dirigiu a primeira versão de 'Gabriela', na Tupi: "Ela só faz cozinhar e transar" (Divulgação)
Sherman, hoje diretor do humorístico Zorra Total, conta que o próprio Jorge Amado, então morador do bairro de Copacabana, supervisionou a produção. “Foi ele que ajudou a escolher a atriz. Ela tinha os olhos azuis!, mas não dava para ver na TV, que era em preto e branco”, acrescenta.
Parte da faixa Grandes Romances Richard Hudnut, patrocinada pela gigante americana de cosméticos, a novela foi uma produção esmerada, que despertou a atenção dos grandes nomes da época. “Tanto é que o Mundinho Falcão era o Paulo Autran, o Tuísca era o Grande Otelo, e a Malvina, a Suely Franco. O Nacib era o Renato Consorte, que era turco de verdade! – não entendo por que o Nacib de agora (Humberto Martins) fala com sotaque baiano. Era um elenco maravilhoso, figurinos e cenários grandiosos”, orgulha-se o diretor.
Para o posto de protagonista, entretanto, Jorge Amado pediu a Sherman e ao autor, Antônio Bulhões de Carvalho, que fosse escolhida uma moça capaz de transmitir a ingenuidade da personagem. “Diversas atrizes nos procuraram querendo o papel, algumas até meio coroas, sabe… Mas ele queria uma mulher desconhecida”, anota. “Na verdade, a Gabriela precisa ser gostosa e praticamente não tem falas… Ela não participa de nada importante que acontece no romance, só faz cozinhar e transar”, diverte-se. “Não pode ser sensual demais, porque é uma moça do interior da Bahia que foi criada na base da porrada.”
Janete Vollu foi encontrada entre as vedetes do show do produtor Carlos Machado. Foi seu primeiro e último papel. “Ela chegou a se animar com a carreira e adotar o nome de ‘Gabriela Vollu’, mas logo se casou. O marido não aprovava a carreira”, diz Sherman, acrescentando que a Gabriela pioneira morreu jovem, aos 34 anos, sem deixar imagens. É que as imagens da novela, um dos primeiros programas gravadas em videoteipe, não se perderam no tempo.