quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Paraguai cogita referendo sobre permanência no Mercosul


Já os membros da Unasul ratificaram a suspensão temporária do país do grupo


O presidente do Paraguai, Federico Franco (Norberto Duarte/AFP)

O presidente do Paraguai, Federico Franco, cogita promover um referendo para que a sociedade decida se o país deve ou não permanecer no Mercosul, informou a Agência Brasil. Opaís foi suspenso do bloco em junho, depois que os líderes sul-americanos levantaram dúvidas sobre a destituição do então presidente Fernando Lugo do poder. "Não é uma decisão rápida nem prática que possa ser tomada por alguns, que solicitam a saída do Mercosul”, disse o presidente durante uma solenidade. "Para tomar essa decisão, não descarto a realização de um referendo”, acrescentou. Caso confirmado, o referendo deve ocorrer em abril de 2013, durante as eleições majoritárias.

O Mercosul foi criado em 1991 e é formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela - que foi integrada ao grupo no último dia 31, em cerimônia em Brasília, na presença dos presidentes Dilma Rousseff, Cristina Kirchner (Argentina), José Pepe Mujica (Uruguai) e Hugo Chávez (Venezuela). Além do Mercosul, o Paraguai foi suspenso também da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) como pressão dos líderes da região devido à forma como Lugo deixou o poder. Os paraguaios protestaram, informando que o processo foi legal e seguiu os preceitos da Constituição.


Desde a semana passada, Franco tem anunciado medidas controvertidas envolvendo alguns parceiros sul-americanos. O presidente disse que pretende revisar o acordo entre o Paraguai e o Brasil sobre o uso de energia gerada pela Usina Hidrelétrica de Itaipu. Segundo ele, os paraguaios deixarão de “ceder” energia para o Brasil. As autoridades brasileiras reagiram, informando que há um acordo que deve ser respeitado e que para revisá-lo é necessário seguir uma série de trâmites. O governo brasileiro nega que a energia seja cedida pelo Paraguai e afirma que ela é comprada.

Unasul - Na terça-feira, o grupo de alto nível da Unasul ratificou a suspensão temporária do Paraguai. A decisão foi anunciada em Lima pelo presidente do grupo, Salomon Lerner, após um período de análises a partir de relatórios específicos enviados pelas embaixadas dos países que integram a Unasul. O grupo é formado por 12 países - um deles é o Paraguai, que está suspenso até abril de 2013. Os outros integrantes são Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Chile, Guiana e Suriname. São países observadores o Panamá e o México.

Lerner disse que os integrantes do grupo analisaram os relatórios sobre a situação política no Paraguai e que há perspectivas positivas sobre o cumprimento do calendário eleitoral no país. As presidenciais estão marcadas para abril de 2013, e o ex-presidente Fernando Lugo deve ser candidato ao Senado. No fim deste mês, os integrantes do grupo de alto nível da Unasul voltam a se reunir para mais uma etapa de análise sobre a situação política do Paraguai. No próximo dia 22, a Organização dos Estados Americanos (OEA) também discute a situação política do Paraguai.