quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ideb cai em nove estados no ensino médio


Ideb cai em nove estados no ensino médio
Ministro atribui desempenho pífio a currículo sobrecarregado e falta de professores especializados. Solução, diz ele, seria educação integral




O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, divulga o resultado do Ideb 2011 (Marcello Casal Jr/ABr)

O ensino médio piorou em nove estados brasileiros na comparação com 2009. É o que mostra o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).



Os estados que tiveram nota menor que a observada há dois anos são: Acre, Pará, Maranhão, Paraíba, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul. Outros sete estados se mantiveram estáveis, sem qualquer evolução.

O ministro da educação, Aloizio Mercadante, admitiu que, mesmo os estados que conseguiram boas pontuações na avaliação do ensino fundamental, não obtiveram desempenho equivalente no ensino médio. “O ensino médio continua sendo um grande desafio ao sistema educacional”, afirmou.

A média nacional subiu apenas 0,1% e ficou em 3,7. Nenhuma região superou a meta, sendo que o Sul do país diminuiu o seu índice de 4,1, em 2009, para 4, em 2011. Mercadante justificou o desempenho pífio do país com o “sobrecarregado” currículo escolar desta fase, que tem 13 disciplinas obrigatórias e, em algumas escolas, diz ele, chegam a 19. “Isso não contribui para o aluno focar nas disciplinas tradicionais, como matemática, português e ciências”, diz.

Ele também citou como impeditivos ao crescimento a falta de professores com qualificação adequada à matéria que lecionam e o fato de muitos alunos estudarem à noite, já cansados após trabalharem o dia todo. Outros, repetentes, ansiariam por entrarem logo no mercado de trabalho.

Para o ministro, a falta de qualidade do ensino médio poderia ser resolvida com “educação em tempo integral”. “É a grande resposta. A rede vai avançar a medida que o ensino integral avançar”, diz. Ele ponderou, porém, que ainda são necessários estudos sobre os custos que tal medida acarretaria aos cofres públicos.

Diferentemente do ensino fundamental, em que todas as escolas são avaliadas, os dados do ensino médio são feitos por amostragem. Dos 2,2 milhões de estudantes, 70.000 passaram por avaliação.