Segundo presidente do Banco Central, Brasil tem sistema financeiro sólido e capitalizado, isso dará crescimento acelerado nos próximos trimestres
Alexandre Tombini: "O BC adotou resposta tempestiva aos efeitos da crise" (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta sexta-feira que a economia brasileira "está em pleno processo de recuperação", o que vai se manifestar no curto prazo . "O crescimento irá se acelerar nos próximos trimestres", comentou em palestra durante congresso da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em São Paulo. O economista ressaltou que o país tem fundamentos macroeconômicos sólidos, com sistema financeiro capitalizado e alta liquidez – condições naturais para a continuidade da geração elevada de empregos e o aumento da renda da população.
Em breve relato sobre a cenário econômico brasileiro e internacional, o presidente do BC falou que a indústria automobilística representa uma grande cadeia produtiva no país que, indiretamente, é importante para o Produto Interno Bruto (PIB) porque acaba por fomentar outros setores. De acordo com ele, por suas implicações para a conjuntura, o governo tem prestado atenção neste setor.
Resposta tempestiva – A desaceleração da economia no segundo semestre de 2011, atingida com força pelos efeitos da crise internacional, fez com que o país registrasse redução expressiva no nível de atividade na primeira metade deste ano. "O BC adotou resposta tempestiva aos efeitos da crise sobre a economia", disse, referindo-se em especial à decisão de política monetária em 31 de agosto, quando iniciou um processo de corte de juros – de lá para cá, a taxa básica, a Selic, passou de 12,5% para 8,0% ao ano.
Recuperação do crédito – Para Tombini, há ainda espaço na economia para expansão do crédito de forma sustentável nos próximos anos. Ele justificou que a demanda mostra que a concessão de empréstimos no Brasil pode crescer sem provocar problemas de insolvência ao sistema financeiro.
Tombini ressaltou que o sistema financeiro nacional apresenta altos níveis de liquidez e capital. Ele adverte, no entanto, que diante do novo cenário "deveremos ver mudanças" nas instituições financeiras, com o aperfeiçoamento na forma de avaliação de risco nas operações de crédito, o que dará mais condições para crescimento.
O presidente do BC também mandou um recado aos especialistas que consideram que as condições dos consumidores brasileiros para tomar crédito alcançaram patamares elevados e arriscados. "O endividamento das famílias não é elevado na comparação com outros países", disse. Ele argumenta que o Brasil tem bons fundamentos, gera empregos e está em ascensão – processo que é duradouro e tem boa perspectiva de ser mantido nos próximos anos.
Sob o aspecto da demanda, ele citou informações recentes sobre queda na inadimplência e destacou que as dívidas das famílias são, em grande parte, de curto prazo. Além disso, na avaliação do presidente do BC, contribui o ambiente de taxa de juros e spread bancário (diferença do custo do dinheiro pago pelos bancos e por quanto oferecem aos consumidores) mais baixos.
Do ponto de vista da oferta de recursos ao mercado, Tombini lembrou que, desde março, os bancos contam com a central de crédito do BC, além do cadastro positivo que confere maior segurança à liberação de financiamentos.
Ele reforçou, porém, que a autoridade monetária se mantém atenta à forma de expansão de crédito. "O Banco Central não hesitará em adotar medidas contra ameaças ao sistema financeiro, se necessário."
Sobre as recentes viagens a Nova York e Londres para encontros com investidores estrangeiros, o presidente do BC contou que as expectativas em relação ao Brasil no exterior são "positivas", mencionando que o país tem criado condições para crescer e reduzir desigualdades, o que estimula investimentos.
(com Agência Estado)