O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta terça-feira do primeiro ato público com o candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, depois da convenção que lançou a candidatura do petista. No comício, Lula explicou o porquê de ter escolhido o ex-ministro da Educação para disputar as eleições pelo partido na capital paulista.
"Vou explicar quando eu pensei e discuti com o meu partido o nome do Fernando Haddad. Foi da mesma forma que descobri que a companheira Dilma (Rousseff) precisaria ser candidata a presidente da República. Muita gente do PT e do PCdoB me perguntava: 'Lula, você está louco? Você vai indicar a Dilma? Qual é a experiência politica dela? Ela já foi vereadora, deputada? Ela já falou em palanque? Você não pode fazer isso. Isso é uma loucura.' Eu dizia: 'estou propondo a indicação da Dilma porque depois de oito anos trabalhando junto descobri a competência, a inteligência, a dedicação e a honestidade de uma pessoa que vai fazer mais e melhor do que eu fiz na presidência", afirmou.
Lula também disse que, por causa do tratamento que fez contra um câncer na garganta, vai "se dedicar mais àeleição" em São Paulo. "Este é o primeiro ato público de que participo com Fernando Haddad depois da convenção oficial. Eu até então não tinha participado de nada porque não podia. Parece que (minha garganta) está melhorando e, se Deus quiser, vou poder participar mais intensamente da campanha (eleitoral). Em função da minha garganta e do tratamento, não vou poder viajar muito (o Brasil). Vou me dedicar mais a São Paulo", afirmou.
O ex-presidente ainda anunciou sua participação em mais dois comícios de campanha de Haddad. Lula prometeu participar de um ato no Capão Redondo e de outro no Grajaú neste fim de semana. O discurso de hoje foi feito em plenária no Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, localizado no centro da capital paulista.
Além disso, Lula disse contou que teve de vencer a resistência de muitos políticos do PT para bancar a candidatura de Haddad. O ex-presidente admitiu que sua intenção "era construir alguém durante a campanha".
"Estamos cansados de ver pessoas durante a campanha tratar o pobre como se fosse rei e depois das eleições como se fosse bandido. Era necessário uma pessoa que desse um pouco de sangue na campanha. Vocês sabem que o PT tem quadro extraordinário (de pessoas). Eu dizia: 'Não. Vamos começar lá de baixo e construir alguém durante a campanha. Tinha uma convicção. Eu queria que o Fernando Haddad repetisse aqui na cidade o mesmo comportamento e o mesmo jeito como se comportou como ministro da Educação desse País", explicou.
Aproximadamente 3 mil pessoas compareceram ao plenário de Lula e Haddad com sindicalistas na quadra do sindicato paulistano, no centro da capital. O presidente do PT em São Paulo, Edinho Silva, o vereador Antonio Donato, que coordena a campanha de Haddad, e presidente da CUT, Vagner Freitas, também participaram do ato.