Dagoberto comemorou timidamente o gol marcado contra seu ex-time
Um personagem em especial encarou o confronto desta quarta-feira entre São Paulo e Internacional, no Estádio do Morumbi, de uma maneira especial. Depois de cinco anos e dois títulos do Campeonato Brasileiro, nos anos de 2007 e 2008, Dagoberto, agora colorado, reencontrou a torcida que um dia o ovacionou (e que por algumas vezes o criticou).
Xingado e vaiado, o camisa 20 colorado precisou de apenas 7min para calar os pouco mais de 14 mil pagantes. Em um arremate de rara felicidade, Dagoberto anotou o único gol do Internacional no empate por 1 a 1, em duelo pela 22ª rodada da competição nacional. Resultado que mantém os dois times com 35 pontos, ainda afastados do grupo dos quatro melhores da Série A, zona que assegura um lugar na próxima edição da Copa Libertadores da América.
Pela primeira vez diante do público são-paulino como rival, Dagoberto recebeu a rejeição do público antes mesmo de subir ao gramado. Enquanto as equipes ainda aqueciam nos vestiários, o placar do Morumbi anunciava a escalação dos dois times. No momento em que o nome do camisa 20 do time colorado apareceu, o público, que se dividia nos cantos em apoio ao clube da casa, se uniu para uma uníssona vaia contra o atacante.
Tamanho sentimento negativo motivou Dagoberto. Posicionado no lado direito do ataque, o camisa 20 não se limitou somente a tentar furar a ala esquerda são-paulina. Disposto e retomando a melhor forma física, o jogador correu para fechar o setor de meio-campo e por muitas vezes foi visto dificultando a saída de jogo do adversário com Cortez. A recompensa pelo empenho não demorou a vir, para frustração dos paulistas presentes na fria noite de quarta-feira no Morumbi.
Após rápida troca de bola, Fabrício recebeu pela ponta esquerda completamente livre, aproveitando grave falha de marcação no setor, e encontrou Dagoberto no meio da área. O ex-são-paulino pegou de primeira, de canhota, e fuzilou a meta defendida por Rogério Ceni, que permaneceu estático, no meio da meta, apenas apreciando a bela finalização do antigo colega de clube. Golaço e comemoração contida.
A festa tímida de Dagoberto não demorou muito tempo. Dez minutos depois, a torcida são-paulina, que parou de vaiar o antigo atacante do clube logo após o belíssimo gol, teve um real motivo para comemorar. Substituto de Lucas, Osvaldo fez grande jogada pela direita e cruzou na medida para Maicon, livre na pequena área, aproveitar desatenção da defesa gaúcha e tocar de cabeça para igualar o marcador.
A igualdade no marcador transformou a participação de Dagoberto na segunda etapa. Sem encontrar o mesmo espaço pela lateral esquerda, especialmente pelo deslocamento de Maicon para cobrir Cortez no setor, o atacante encontrou mais dificuldades para repetir a ótima atuação da primeira etapa, ainda mais depois de um lance polêmico ocorrido aos 27min.
O argentino Andrés D¿Alessandro invadiu a área e caiu. O árbitro Ricardo Marques Ribeiro não hesitou: parou o jogo, levantou o segundo cartão amarelo para o camisa 10 do Inter e obrigou Fernandão a recuar o time gaúcho. O sacrificado acabou sendo o já cansado Dagoberto, que deixou o jogo no Morumbi aos 28min sob vaias e gritos hostis da torcida.
Apesar do sentimento negativo da torcida, Dagoberto demonstrou-se nostálgico ao pisar novamente no Morumbi. "É bom voltar aqui, são muitas recordações. Por questão de respeito não comemorei muito, já passei cinco anos marcantes. Fiquei um longo tempo com lesão, estava com muita vontade, no outro procurei entrar e ajudar. Esse é o Dagoberto, sempre com muita vontade, tentando ajudar", discursou.