Embate entre Márcio Lacerda (PSB) e Patrus Ananias (PT) tem como pano de fundo a disputa entre Dilma Rousseff e Aécio Neves; o tucano leva vantagem
O prefeito e candidato a reeleição pela coligação “BH Segue em Frente”, Marcio Lacerda, e o candidato a vice, Delio Malheiros participam de caminhada pela regiao oeste da capital (Nidin Sanches/Nitro/Divulgação)
O cenário eleitoral de Belo Horizonte não tem terceira via: Márcio Lacerda (PSB) e Patrus Ananias (PT) dividem os holofotes e os votos da capital mineira. O primeiro, atual prefeito da cidade, tem atrás de si uma ampla aliança de 17 partidos e o apoio do senador Aécio Neves (PSDB). O segundo aposta na força política de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.
A divisão de forças ocorreu apenas na reta final da formação das alianças: até então, Lacerda caminhava para repetir o feito de 2008, quando recebeu o apoio tanto de petistas quanto de tucanos. Na reta final, entretanto, o PT lançou Patrus Ananias, ex-prefeito da cidade. Para se opor à imagem de gestor eficiente do rival, o petista apostou no discurso em favor das camadas mais pobres da população.
Mas a cisão entre PT e PSB não ocorreu por causa da disputa pela prefeitura; o racha foi fruto de um desacordo entre os candidatos a vereador, que não chegaram a um consenso sobre a coligação entre as duas siglas. Aécio Neves ganhou mais uma oportunidade de aplicar sua peculiar noção de estratégia política: Belo Horizonte é a única cidade importante do país onde os partidos de oposição ao PT não têm sequer um candidato próprio. O líder tucano acha que pode atrair o PSB de Eduardo Campos para si em uma eventual candidatura presidencial de 2014. Para isso, por vezes sacrifica os interesses da própria sigla.
Outro fato torna a eleição da capital mineira interessante: ao contrário do que fez em outras capitais, onde preferiu manter-se distante da disputa eleitoral, a presidente Dilma Rousseff entrou em campo diretamente em Belo Horizonte. Gravou vídeos pedindo votos para Patrus e compareceu a um comício na reta final de campanha. Dilma, pouco afeita a provocações, disparou contra Aécio - que passa boa parte de seu tempo no Rio de Janeiro: "Eu, quando saí daqui, não saí para passear. Não saí para ir à praia, para me divertir", disse ela na quarta-feira.
Aécio respondeu dois dias depois "Eu tenho uma curiosidade muito grande de saber onde é que a mineira Dilma Rousseff vai votar no próximo domingo". A presidente vota em Porto Alegre, onde se radicou depois de deixar Minas Gerais.
Costuras - Na disputa, Aécio Neves preferiu lançar Márcio Lacerda, ex-secretário de Desenvolvimento no governo do tucano, à prefeitura a colocar em disputa um nome de seu partido - como fez, de forma bem-sucedida, com Antonio Anastasia para o governo do estado. O PT, patrocinado por Fernando Pimentel, entrou na aliança por causa da parceria história com o PSB. Os tucanos passaram pelo constrangimento de dividir o palco com os petistas.
Em 2012, Aécio demorou a decidir: os petistas tentaram convencer Lacerda a se livrar dos tucanos. Desenhava-se mais um contrangimento para o PSDB, que veria o PT ter o vice na chapa e ficariam em segundo plano.
Uma ala defendia o lançamento de uma candidatura própria, mesmo que fosse para perder. Outro grupo arriscou pedir que o partido entrasse na campanha do PV, que pretendia lançar Délio Malheiros à prefeitura.
A indecisão de Aécio criou tensões no grupo tucano. Até que a briga pela coligação de candidatos a vereador jogou Lacerda no colo do PSDB. Mais por sorte do que por estratégia, o senador se viu num cenário dos sonhos: com o PSB ao seu lado, livre do PT, ele pode medir forças com Dilma Rousseff e fazer a primeira prévia de 2014. As pesquisas eleitorais, que apontam para uma possível vitória de Lacerda já no primeiro turno, indicam mais uma vitória do homem que, em Minas Gerais, vem ganhando fama de imbatível. Resta saber se o PSB de Lacerda retribuiria o apoio daqui a dois anos.