Clérigo radical islâmico foi extraditado pela Grã-Bretanha na semana passada
O clérigo Abu Hamza enfrenta 11 acusações de terrorismo nos EUA (Toby Melville/Reuters)
O clérigo radical islâmico Abu Hamza se declarou inocente das acusações de terrorismo durante uma audiência em Nova York nesta terça-feira. Ele negou ter conspirado com nacionalistas americanos para montar um campo de treinamento terrorista em Oregon, informou a rede britânica BBC.
Hamza estava preso na Grã-Bretanha desde 2004 e era considerado um dos homens mais perigosos do país, por incitar ódio racial e encorajar seus seguidores a matar não-muçulmanos. Na semana passada, ele foi extraditado junto com outros quatro terroristas para os EUA, onde é acusado de terrorismo. O seu julgamento está marcado para agosto de 2013.
Prisão - Os advogados de Hamza, de 54 anos, dizem que sua saúde mental e psicológica está deteriorada demais para enviá-lo à prisão. Segundo a defesa, ele sofre de depressão, insônia crônica e diabetes. O radical islâmico não tem um dos olhos e uma das mãos, que conta ter perdido na década de 80, quando lutava contra os soviéticos no Afeganistão.
Autorizada pela Suprema Corte britânica no final de setembro, a extradição de Abu Hamza - conhecido por suas declarações de ódio ao ocidente - encerra uma batalha judicial de oito anos, iniciada quando o radical foi preso na Grã-Bretanha e os EUA requisitaram sua extradição para que pudesse responder às acusações de terrorismo. Na sexta, um tribunal britânico rejeitou o último recurso do clérigo fundamentalista.
Histórico - De origem egípcia, mas residente em Londres, Abu Hamza responde por 11 crimes nos EUA, entre eles conspirar para criar um campo de treinamento de jihadistas no estado de Oregon (EUA), entre junho de 2000 e dezembro de 2001. Ele deve ser julgado também por sua participação no sequestro de 16 turistas ocidentais no Iêmen em 1998, que acabou com a morte de quatro reféns, e por apoiar atentados violentos no Afeganistão em 2001. Na Grã-Bretanha, Hamza era acusado de incitar o terrorismo em sermões.