terça-feira, 9 de outubro de 2012

Secretário da ONU condena atos antissemitas na França


No sábado, grupo islamita suspeito de atacar loja kosher foi desmantelado


Ban Ki-moon em coletiva de imprensa com o presidente francês François Hollande (Eric Feferberg/AFP)

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou nesta terça-feira os "incidentes antissemitas" registrados na França, depois de se reunir com o presidente francês, François Hollande. Segundo o serviço de proteção da comunidade judaica, ligado ao conselho representativo da religião na França, o número de atos antissemitas aumentou 45% nos primeiros oito meses deste ano na comparação com igual período de 2011.

"Fiquei profundamente triste com os incidentes antissemitas que ocorreram recentemente na França", disse o secretário. No sábado, um grupo islamita suspeito de ter cometido umatentado contra uma loja judaica foi desmantelado. "As Nações Unidas se insurgem contra qualquer ato de ódio ou de intolerância religiosa", acrescentou Ban Ki-moon.

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No domingo, o presidente François Hollande se reuniu com representantes da comunidade judaica e prometeu que a segurança nos locais de culto sujeitos a ataques será reforçada. "A França está mobilizada para lutar contra o terrorismo", afirmou.

Ataques - Doze pessoas presas em Cannes, Estrasburgo e nos arredores de Paris, estão sendo interrogadas pela polícia e pelo serviço de inteligência francês. "O grupo que foi desmantelado é perigoso e determinado a agir. São jovens convertidos recentemente ao islamismo radical e que representam uma ameaça real para a França", afirmou o ministro do Interior, Manuel Valls.

Na operação no sábado, o francês Jérémie Louis Sidney, de 33 anos, apontado como chefe do grupo, foi morto ao atirar nos policiais que invadiram sua casa, segundo o procurador de Estrasburgo. Também no sábado, uma sinagoga em Argenteuil, na periferia de Paris, foi atacada a tiros. Ninguém ficou ferido, mas o ataque deixou em choque as autoridades de diferentes religiões da região.

Os atos antissemitas ficaram mais intensos na França após o caso de Mohamed Merah, que matou quatro pessoas em uma escola judaica em março, em Toulouse, e três militares em outros ataques na região. Merah, um francês de origem argelina de 24 anos, foi morto no fim de março durante um amplo cerco policial à sua casa, que durou dois dias.

(Com agência France-Presse)