quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sequestro de paulista no Rio era uma farsa, diz polícia


Adolescente mentiu para se vingar do namorado, chefe do tráfico de drogas


Criminosos conhecidos como Cabelinho (à esq.) e China foram presos acusados do sequestro (Cléber Júnior/Extra )

A história contada por uma adolescente, que dizia ter sido sequestrada em Guarulhos, São Paulo, e mantida refém por 40 dias em uma favela do Rio de Janeiro não passa de uma farsa. De acordo com o delegado Júlio César Vasconcellos da Costa, da 50ª DP (Itaguaí), a jovem de 16 anos inventou tudo para se vingar do namorado, um traficante que foi preso acusado do crime que nunca existiu. A polícia concluiu o caso após ouvir três depoimentos na terça-feira.

Levada para a delegacia depois de pedir ajuda a agentes Polícia Rodoviária Federal no último dia 4, a menina afirmou em depoimento ter sido sequestrada em São Paulo e levada no porta-malas de um carro para uma favela de Itaguaí, na Baixada Fluminense, onde teria sido obrigada a embalar drogas. Durante o período, ela dizia ter sofrido abuso sexual. Aos policiais, contou ainda ter aproveitado um momento de distração dos criminosos para fugir e disse que outra menina ainda estaria em poder deles.

Dois suspeitos foram presos: Michael Gouveia Ramos da Silva, conhecido como China, chefe do tráfico de drogas da Mangueirinha, e seu comparsa, Emerson Luis Borges de Amorim, o Cabelinho. Conforme os investigadores, China é o namorado da jovem, que apanhou e teve os cabelos cortados depois que ele descobriu ter sido traído. Para se vingar, ela o acusou do falso sequestro e de violência sexual. "A única coisa boa nessa história é que conseguimos prender o China e o Cabelinho, que realmente são traficantes das favelas da Mangueirinha e da Ponte Preta", destacou o delegado.

A adolescente pode responder pelo crime de denunciação caluniosa. A mãe dela confirmou a mentira, disse que a filha tem problemas mentais e que já fugiu outras vezes de casa. Ambas moram em Guarulhos e devem ser chamadas a prestar novos esclarecimentos às polícias do Rio e de São Paulo.