Pode não parecer, mas as imagens acima são de jogos da última Copa do Mundo. Os duelos não eram de arrancar suspiros, é verdade: Eslovênia x Argélia (à esq.) e Japão x Camarões. De qualquer forma, eram partidas válidas por um Mundial de futebol, e as cidades em que foram realizadas – Polokwane e Bloemfontein – são tão pequenas e monótonas que entrar num estádio durante a Copa seria uma experiência inesquecível para seus moradores. Por que, então, tantos lugares vazios nas arquibancadas? A resposta é simples: por causa das falhas do sistema de distribuição e venda dos bilhetes nas Copas (e também nas Olimpíadas, como se viu em Londres-2012). A concorrência por entradas para esses grandes eventos esportivos é tão acirrada que acaba criando uma situação paradoxal: existe gente de sobra querendo entrar nas arenas, mas assentos sobrando dentro delas. Se depender da Fifa, porém, a Copa do Mundo de 2014 marcará uma transformação – e resolverá, enfim, o fiasco dos lugares vazios em eventos tão disputados.
Hoje, há dois grandes buracos na operação de guerra que é o processo de repasse dos ingressos do Mundial: a existência de grandes lotes reservados aos patrocinadores dos eventos e a falta de flexibilidade na comercialização de bilhetes para os torcedores comuns. No primeiro caso, as consequências são terríveis – setores inteiros são resevados aos sorteados em promoções realizadas por marcas como Coca-Cola, Adidas e Sony, mas nem todos aproveitam as entradas. Ou seja: ingressos que um torcedor local faria de tudo para conseguir acabam sendo jogados no lixo. O segundo problema é decorrente da estratégia adotada para tornar o processo justo e desencorajar a ação de cambistas. Os ingressos são vendidos numa espécie de loteria, com enorme antecedência e entrega nominal ao comprador. Entre o momento em que o torcedor consegue o ingresso e a hora da partida, muita coisa pode acontecer – desistências e cancelamentos de viagens ao Mundial são comuns. De novo, os ingressos acabam sendo desperdiçados, já que não existe uma via oficial para revendê-los.
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Em 2014, a situação deve mudar. De acordo com anúncio feito nesta quarta-feira por Thierry Weil, diretor de marketing da Fifa, há planos concretos para corrigir as falhas e encher todos os estádios. As ideias de Weil foram reveladas durante um seminário realizado no Estádio Stamford Bridge, do Chelsea, em Londres. Em relação aos patrocinadores, a intenção é cobrar uma confirmação do uso dos ingressos distribuídos. Quem não aproveitar as entradas recebidas poderá até perder seus bilhetes nas partidas seguintes. “As empresas não podem simplesmente dizer que as pessoas irão ao estádio e aí ninguém vai”, avisou o dirigente. “O que esperamos dos anunciantes é que eles sejam sinceros conosco sobre quem comparecerá e quem não pretende usar os bilhetes. Queremos que nos digam com antecedência quantos ingressos usarão e quantos deixarão de usar, para que seja possível redistribuir as entradas.” De acordo com o diretor da Fifa, é possível que os sorteados nas promoções ligadas à Copa recebam suas entradas só no dia do jogo. Nada de enviar pelo correio um bilhete que jamais será aproveitado.
Outra novidade prometida para a Copa no Brasil é a criação de um sistema de revenda oficial de ingressos que não pretendem utilizar durante a competição. Isso já existe nas ligas profissionais americanas, consideradas as campeãs mundiais no quesito marketing. No futebol americano, por exemplo, quem desiste de um dos disputadíssimos bilhetes para os jogos da temporada pode recolocá-lo no sistema de vendas on-line e evitar amargar o prejuízo. Sua cadeira no estádio é ocupada e ninguém perde dinheiro. Thierry Weil deixou claro que a Fifa está preocupada com a repercussão negativa de imagens como as duas fotos acima. Desde a Copa da África do Sul, o problema se repetiu – e causou grande frustração nos torcedores – tanto na Olimpíada como na Eurocopa deste ano, na Polônia e na Ucrânia. “É muito ruim quando o estádio não fica lotado. E é pior ainda quando você anuncia para o mundo inteiro que não há mais entradas, mas aí vê na TV um monte de espaços vazios na arquibancada.” Melhor para o torcedor brasileiro, que deve aumentar suas chances de conseguir um ingresso em 2014.