quinta-feira, 22 de novembro de 2012

CPI do Cachoeira Parlamentares entregam à PGR relatório paralelo da CPI do Cachoeira

Texto sugere a retirada da investigação de jornalistas e do procurador-geral da República. Gurgel diz estar acostumado com retaliações




Senador Pedro Taques (PDT-MT) (Antônio Cruz/ABr)

Um grupo formado por parlamentares entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR), nesta quinta-feira, um relatório paralelo ao texto final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira. O documento de 88 páginas propõe a investigação dos governadores do Tocantins, Siqueira Campos (PSDB), do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e condena a sugestão de indiciamento de jornalistas e do próprio procurador-geral, Roberto Gurgel.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) defendeu a iniciativa dizendo que a CPI poderia ter investigado, sobretudo, aqueles que captaram recursos da Delta, “empresa que recebeu dinheiro do tesouro nacional via Dnit”. Na opinião dele, a investigação não avançou por questões político-partidárias. “Isso significa que perdemos tempo e que o lixo não foi mostrado à sociedade brasileira”, disse, ao destacar a necessidade de se descobrir o destino final do dinheiro. “Quem foi agora recomendado no relatório final foram jornalistas e o procurador. Isso prova, com todo respeito ao relator, que o relatório não chegou a um bom termo.”

Além de políticos e empresários, o parecer distribuído pelo relator da CPI, o petista Odair Cunha (MG), também pede o indiciamento de jornalistas, entre eles o redator-chefe e diretor da sucursal de Brasília de VEJA, Policarpo Júnior. Nota de esclarecimento de VEJA, publicada nesta quinta-feira, mostra que o relatório, redigido sob pressão da ala radical do PT, suprimiu provas irrefutáveis de que os contatos entre Policarpo e Cachoeira jamais extrapolaram os limites do trabalho de um repórter em busca de informações.

O deputado Onyx Lorenzoni reforçou que o documento paralelo é resultado de meses de trabalho de assessorias técnicnas. O que se percebeu, segundo ele, foi a existência de “uma organização muito maior (em comparação à contraventor Carlinhos Cachoeira) que movimenta um volume de recursos extraordinário”. Daí, então, a necessidade de se aprofundar as apurações.

Sobre o seu nome estar na lista de investigados, Roberto Gurgel disse que as retaliações são muito frequentes para membros do Ministério Público: "Se isso vier a se materializar [o seu indiciamento], acho que seria uma retaliação”, apontou o procurador, responsável pela acusação contra os condenados por envolvimento no mensalão.