Companhia planeja vender mais ativos para compensar os baixos preços de commodities, mas quer aumentar produção de minério de ferro
Petrobras também já reduziu custos e quer vender ativos (Marcelo Sayão/EFE)
A Rio Tinto, empresa anglo-australiana de petróleo, planeja cortar 7 bilhões de dólares em custos nos próximos dois anos e vender mais ativos para compensar os baixos preços de commodities, mas quer aumentar a produção do lucrativo negócio de minério de ferro. A companhia é a única fabricante global que não reduziu os planos de expansão em minério de ferro, ao destinar 21 bilhões de dólares para aumentar a capacidade de produção na Austrália investindo em minas, portos e ferrovias.
No entanto, assim como as concorrentes, a segunda maior produtora mundial de minério de ferro, depois da Vale, vem cortando custos, revendo projetos e desativando minas de carvão na Austrália pelo baixo preço da commodity, além dos crescentes custos e do dólar australiano valorizado.
"Para mim, a pauta para este ano, o próximo e provavelmente depois (...) terá sempre a ver com controle de custos", afirmou o presidente-executivo Tom Albanese a jornalistas, antes de encontro com investidores. A companhia pretende reduzir até o fim de 2014 mais de 5 bilhões de dólares em gastos com operações e suporte e cortará 1 bilhão de dólares em exploração e avaliação de projetos no fim de 2012 e ao longo de 2013.
Muitos dos cortes serão em carvão e alumínio, disse o executivo, acrescentando que os custos de suporte na Austrália se tornaram os mais altos do mundo, enquanto há cinco anos estavam entre os mais baixos. Também está nos planos da Rio Tinto reduzir em 1 bilhão de dólares os gastos com operações de suporte em 2013.
Brasil - A Petrobras é uma das companhias que também tenta vender seus ativos, mas ainda sem sucesso. A companhia estatal brasileira estuda mudar seu bilionário programa de desinvestimento, incluindo mais vendas de ativos no Brasil, segundo o diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa. Uma das opções seria aumentar o tamanho desse programa, que atualmente prevê a venda de 14,8 bilhões de dólares em ativos, a maioria no exterior.
Essa seria uma forma de compensar o preço defasado da gasolina em relação a outros países, que vem ocorrendo desde o final de 2010, prejudicando o caixa da empresa. Barbassa disse que a Petrobras está discutindo como reajustar esse preço, que tem trazido prejuízos à companhia e pode comprometer o programa de investimentos.
Por falta de caixa, a companhia já começara, nos últimos dois meses, a adiar ou reduzir investimentos enquadrados no plano de negócios como em análise. Agora, quer também se desfazer de ativos no Brasil.
(com agência Reuters)