domingo, 7 de abril de 2013

Trabalho de contenção de mancha no litoral norte de SP chega ao 3º dia Técnicos tentam evitar que combustível marítimo se espalhe pela costa. Incidente ocorreu na sexta-feira (5) no píer da Petrobras em São Sebastião.

 
Equipes fazem a contenção do óleo na tarde deste
sábado. (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)

Funcionários da Petrobras estão no terceiro dia de contenção e limpeza da mancha gerada pelo vazamento de combustível marítimo do píer do Terminal Almirante Barroso (Tebar) na última sexta-feira (5) e atingiu praias de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. A mancha também chegou até a cidade vizinha de Caraguatatuba.

Os trabalhos tiveram início logo após o incidente e durou todo o sábado (6) e a madrugada deste domingo (7). Ainda não há a dimensão do dano causado pelo vazamento, que segundo a empresa, teve início com um problema em uma válvula durante a realização de um teste em uma das redes que havia passado por um reparo.

A empresa informou que disponibiliza uma equipe de 300 pessoas e 37 embarcações, algumas usadas no recolhimento e armazenamento do produto, e outras para lançamento ao mar de vários tipos de barreiras de contenção e de absorção. Segundo a empresa, quatro praias foram limpas e seguem sendo acompanhadas por equipes de contingência. Apenas a Praia das Cigarras continuava com as manchas do combustível.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) enviou uma equipe de emergência a São Sebastião para acompanhar os trabalhos de contenção e avaliar possíveis danos ambientais provocados pelo vazamento.

Ainda não há uma definição por parte do órgão se haverá algum tipo de penalidade à Petrobras. Após a finalização do trabalho, a empresa deve fazer um relatório sobre o que aconteceu e somente a partir daí a Cetesb irá definir uma possível punição, que pode ser tanto uma advertência quanto uma multa.

A Capitania dos Portos também abriu inquérito para apurar as causas do incidente e acredita que o trabalho de remoção ainda deve levar todo o domingo.


Em São Sebastião, a balneabilidade das praias do centro ao norte da cidade estão comprometidas. Desde o início da tarde deste sábado, a Vigilância Sanitária orienta que os banhistas evitem nove praias na cidade (veja lista ao lado). De acordo com o delegado da Capitania dos Portos, Alexandre Motta de Sousa, o fato da mancha de óleo ter chegado à enseada de Caraguatatuba não quer dizer que as praias da cidade serão também atingidas.

Vazamento
O vazamento de óleo foi detectado pela Transpetro por volta das 17h50 de sexta-feira (5) e comunicado à Cetesb às 18h. O problema ocorreu durante um teste em uma rede que, segundo a empresa, estava sem uso há algum tempo e havia passado por um reparo. Desde então a empresa realiza ações de contenção e remoção das manchas.

O vazamento já foi controlado, mas é preciso remover as manchas de óleo que se espalharam pela orla. Foram lançadas barreiras de contenção e estão sendo utilizados helicópteros na identificação de eventuais manchas de óleo que possam ter escapado desses limites.

Durante a tarde deste sábado (6), a mancha chegou a atingir Caraguatatuba. Inicialmente, a mancha que atingiu a enseada de da cidade vizinha tinha cerca de três quilômetros de extensão, mas ela se dividiu. Uma parte dela ficou localizada próxima à Praia da Enseada, em São Sebastião, e a outra no Rio Juqueriquerê, no limite entre as duas cidades.

Prejuízos
O vazamento também prejudicou comerciantes e turistas. Eli Humberto, que tem um quiosque na Praia das Cigarras até fechou o estabelecimento por falta de clientes. "Os turistas que tinha foram saindo e então estou até fechando o comércio, porque não adianta ficar aqui", afirmou.

Já a dona de casa Viviane Souza, que saiu da capital paulista com o marido e os dois filhos, teve que mudar os planos. "É uma decepção grande, principalmente para as crianças. Estavam na expectativa de tomar um banho de praia, curtir o fim de semana, deixa para a próxima", disse.

Outro lado
Por meio de nota, a Transpetro confirmou que o trabalho continuará durante a noite de sábado e a equipe estará mobilizada até o encerramento completo da limpeza. Veja a íntegra da nota abaixo:

A Transpetro informa que registrou um vazamento de combustível marítimo no píer do Terminal Almirante Barroso (Tebar), em São Sebastião (SP), no final da tarde de sexta-feira (05/04/2013). O foco do vazamento foi rapidamente controlado.

As equipes de contingência foram acionadas de imediato. Ao longo da noite e durante todo o sábado, atuaram na remoção do produto que vazou. No local da ocorrência, no entorno do píer, o processo de limpeza foi concluído nas primeiras horas da manhã.

Os profissionais mobilizados pela Transpetro concluíram, durante o dia, os trabalhos de limpeza das praias Deserta, Pontal da Cruz, Portal da Olaria e Ponta do Lavapés. Equipes de contingência permanecerão no local para recolhimento de eventuais resíduos trazidos pela maré.

Na tarde de hoje, a mancha atingiu a Praia das Cigarras. Equipes estão no local trabalhando na contenção e remoção do produto.

A Transpetro disponibilizou todos os recursos necessários para remover o combustível, estando mobilizadas 300 pessoas e 37 embarcações, como Egmopol, usada no recolhimento e armazenamento do produto, e outras para lançamento ao mar de vários tipos de barreiras de contenção e de absorção, além dos diversos veículos de terra.

Os trabalhos não serão interrompidos durante a noite e a equipe estará mobilizada até que seja encerrada toda a operação de limpeza.

As causas do incidente estão sendo apuradas. A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) foi comunicada e os técnicos do órgão ambiental acompanham os trabalhos de limpeza. A Transpetro também comunicou todas as autoridades competentes.

Primeiro caso
Em 6 de setembro do ano passado, uma carreta da Petrobras tombou na SP-55 (Rodovia Doutor Manuel Hipólito Rego) e provocou o vazamento de 15 mil litros de óleo diesel. O material chegou ao córrego Canto do Moreira, situado no lado sul da praia de Maresias, também em São Sebastião. O problema interditou um trecho de 800 metros quadrados da praia para os trabalhos de remoção do óleo.

Cinco dias depois do acidente, a Petrobras e a Cooperativa de Transportes Rodoviários do ABC foram multadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em R$ 92.218,44, cada uma. O valor da multa correspondia a 5.001 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo.