Cupins operários mais velhos combatem em defesa da colônia e não hesitam em morrer para defender o grupo
Velhos cupins operários da espécie Neocapritermes Taracua se lançam à frente de batalha para defender colônia, na imagem, dois cupins com sinais azuis nas costas são os que estão desenvolvendo a bolsa tóxica; inseto maior é o soldado da colônia e os demais são também operários (Cortesia R. Hanus)
Para animais que vivem em colônias, a interação entre indivíduos é o que faz a diferença entre a sobrevivência do grupo ou a morte de todos. Nas colônias de cupins, não é diferente. Um estudo publicado hoje na revista Science mostra que a evolução desse animal levou ao desenvolvimento de um comportamento suicida dos mais velhos quando o grupo é atacado. Eles chegam a desenvolver até uma curiosa bolsa tóxica nas costas.
O estudo se concentrou na espécie Neocapritermes taracua. Ao observar as colônias, os pesquisadores constataram que eram os operários mais velhos – e não os jovens, como fazem nós humanos, nem as operárias mais velhas, como nas colônias de formigas – que defendiam o grupo da ameaça inimiga.

Cupim operário após 'encher' a bolsa tóxica ao ser provocado com uma pinça por pesquisadores
Carga tóxica - Eles desenvolvem uma bolsa nas costas, repleta de uma substância tóxica, que é expelida em caso de combate – mesmo que isso os levem à morte. Os pesquisadores observaram que essa bolsa vai se tornando cada vez maior e mais “pesada” conforme a idade dos cupins avança, tornando-se uma arma substancialmente letal.
Conforme os operários vão perdendo a agilidade na captura de alimentos, eles vão se preparando para se tornarem os defensores da colônia. A toxicidade dessa bolsa resulta de uma reação química entre cristais azuis que estão nessas bolsas e secreções das glândulas salivares.
Quando há combates, os operários se lançam na batalha para que seus corpos se rompam – assim os cristais reagem com a secreção da saliva e produz uma toxina mortífera.