A justiça francesa está contando com ajuda de forças de segurança do Reino Unido, onde está sendo realizada uma grande parte das averiguações
O promotor Eric Maillaud, um dos encarregados das investigações do massacre no lago Annecy (Robert Pratta/ Reuters)
A justiça francesa, que está a frente da investigação sobre o assassinato de quatro pessoas na proximidades do lago Annecy – três membros da mesma família que foram encontrados em um carro com placa britânica e um ciclista francês, que provavelmente passava pelo local na hora do crime – está trabalhando com três hipóteses principais. Um dos promotores encarregados do caso, Eric Maillaud, explicou que os fatos explorados são: uma briga de família, a profissão de uma da vítimas e a origem da família, que é iraquiana e que o caso pode levar anos para ser resolvido.
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Um cidadão britânico encontrou três pessoas baleadas em um carro, ainda com o motor ligado. Os mortos foram identificadas como Saad al-Hilli, um engenheiro nascido no Iraque, sua esposa, Ikbal, e sua sogra, Suhaila al-Allaf, que tem nacionalidade sueca, além da filha do casal, Zainab, de sete anos, que estava gravemente ferida e saiu do coma recentemente. A outra filha, Zeena, de quatro anos, foi achada apenas oito horas após a policia chegar ao local. Ela estava escondida debaixo do corpo da mãe e saiu ilesa, mas disse não ter visto o que aconteceu.
Desta forma, Zainab é a testemunha chave do caso e deve ser ouvida assim que os médicos permitam, pois ela ainda se encontra em um estado delicado de saúde, no hospital de Grenoble, na França.
Jornalistas e policiais na área onde ocorreu o massacre, nas imediações do Lago Annecy, nos Alpes franceses
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Briga de irmãos - Sobre a primeira hipótese feita a respeito do assassinato, o promotor francês explicou, ainda no começo do processo de averiguação do caso, que "aparentemente, há um litígio entre os dois irmãos, envolvendo dinheiro". O Irmão de Said, Zaid, no entanto, negou a existência do conflito familiar.
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Origem – Maillaud destacou que o fato de Said ter nascido no Iraque e possuir família no país é um fato que classificou como ‘interessante’. “É claro que ficamos nos perguntando se existe uma ligação entre isso e sua morte”, afirmou, explicando que existe uma grande dificuldade de obter informações das autoridades iraquianas.
Said, vivia em Claygate, ao sul de Londres, desde a década de 90. Seus pais se instalaram ali após fugirem do regime do ditador Saddam Hussein.
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Profissão – Apesar do chefe de família ter trabalhado com satélites em uma empresa ligada à universidade de Surrey, o jornal francês Le Monde apontou recentemente que seus chefes disseram que o iraquiano não tinha conhecimento de segredos importantes que pudessem estar relacionados ao crime.
De acordo com a agência Reuters, Said trabalhava para a Surrey Satellite Technology, uma subsidiária da empresa aeroespacial e de defesa European Aeronautic Space & Defence Co. (EADS), que controla a Airbus, e a britânica BAE Systems.
Investigações – A justiça francesa, apesar de definir que crimes registrados em seu território devem ser investigados pelas autoridades do país, está contando com ajuda de forças de segurança do Reino Unido, onde está sendo realizada uma grande parte das averiguações.
Maillaud explicou, durante uma coletiva de imprensa realizada em Annecy, que as duas partes estão tentando trabalhar juntas, mas que as barreiras legais e linguísticas estão apresentando dificuldades. “Eu acho que a polícia britânica diria o mesmo”, concluiu.