O marfim fez parte da cartela de cores do desfile
Foto: Especial para Terra / Miuda Tayman
MIUDA TAYMAN E ANDREA D'ANDREA Nova York
A Calvin Klein se apresentou, nesta quinta-feira (13), na semana de moda de Nova York e trouxe mulheres que vestiam não apenas roupas, mas também peças arquitetônicas e que faziam referência aos projetos do brasileiro Oscar Niemeyer. De acordo com o estilista Francisco Costa, o brasileiro no comando da CK desde 2004, a coleção foi focada nos projetos do arquiteto pelo uso de formas sensuais e curvas bem femininas, que aparecem nos decotes arredondados dos corpetes, nas estruturas dos ombros e no desenho dos vestidos.
Os tomara-que-caia apareceram com decotes retos e curvos, que contornavam o busto e lembravam o formato das montanhas no horizonte. Já as ombreiras bem estruturadas e marcadas deixaram os looks mais geométricos, ao estilo militar. Alguns vestidos surgiram na passarela na cor branca, mas com detalhes em preto. Depois, a ordem foi invertida e aparecerem em preto com detalhes em branco. Esses elementos criaram um visual original, ja que estavam no avesso da roupa e apareciam quando as modelos caminhavam e deixavam um rastro de curiosidade na plateia. Como uma brincadeira de esconde-esconde.
As transparências também fizeram esse sutil jogo de mostrar e esconder e apareceram nas mangas das blusas, em saias e em recortes na altura da cintura dos vestidos, quebrando o equilíbrio e quase criando duas peças em uma só. "Quando comecei a trabalhar com os tecidos, eu quis criar esse efeito moiré, de sombras. Trabalhei com o artista Carsten Nicolai, com quem eu já havia trabalhado três anos atrás. Ele tem um livro fantástico de moiré e eu trabalhei em cima das obras dele para desenvolver os tecidos, chegando à essa textura quase smoking, enfumaçada", disse Costa.
O crepe, o cetim, a viscose e o algodão acompanharam a seda, grande estrela dos looks de Francisco, que nela também criou maravilhosas e criativas peças que pareciam teias, usadas por cima de vestidos e blusas, como uma sobreposição. Foi mais uma forma de revelar, mas, ao mesmo tempo, esconder. Francisco disse ao Terra que "os tecidos foram desenvolvidos na Itália e que alguns deles sao japoneses". Usou e abusou também do cetim porque representa a feminilidade dos espartilhos justos ao corpo e bem sensuais.
O blazer apareceu fazendo par com as micro-saias ou saias na altura dos joelhos e também com calças sequinhas e justas, que iam até o tornozelo. A cartela de cores era simples e enxuta: preto, branco e marfim. Nos acessórios, bolsas tipo carteira, sem alças e carregadas nas mãos. Sandálias tipo plataforma, com saltos dourados altíssimos e com desenhos em relevo, também compuseram os looks. Inovador e original.
Fabio Vasconselos, CEO da Calvin Klein no Brasil, disse ao Terra que, para a marca CK, o Brasil é o mais importante país da America Latina e que o setor já está recuperado da crise econômica que abalou tanto os Estados Unidos quanto a Europa. Disse também que a CK Jeans é o principal foco do mercado brasileiro e com maior identidade com o público do País.
Finalizando a entrevista para o Terra, Francisco disse que, mesmo morando há 27 anos nos Estados Unidos, nunca perdeu sua identidade. "Eu sou totalmente brasileiro, a gente não perde a essência, aquela delícia, aquele cheiro brasileiro, o jeito que a gente vive, o jeito que a gente age, a maneira que você 'approach things', a maneira que você se dirige, a maneira que você se aproxima. Eu sou 100% brasileiro, com muito prazer e orgulho", disse.a