terça-feira, 23 de outubro de 2012

Depois de expansão rápida, Le Lis Blanc pisa no freio


Varejista voltada para as classes AB reavalia crescimento após abrir 78 lojas próprias em menos de um ano


Le Lis Blanc: 78 lojas abertas em menos de um ano (Fabiano Accorsi)

Nos corredores da sede da Restoque, dona da marca de roupas Le Lis Blanc, o clima entre funcionários não lembra nem de longe o glamour das campanhas da empresa com astros de Hollywood ou os flashes de colunas sociais que tomam conta dos coquetéis de inaugurações de lojas - só na primeira quinzena de outubro, seis novas unidades foram abertas. No meio do caminho de sua forte expansão, a Restoque se deparou com algumas pedras que se traduziram em um prejuízo de 12,8 milhões de reais no segundo trimestre e na demissão de 300 funcionários no mês passado.

O crescimento acelerado da empresa, que passou de 104 lojas próprias ao final de 2011 para 178 em outubro deste ano, fez com que ela fosse vista, durante um tempo, como a queridinha do varejo. Contudo, a percepção mudou quando a expansão exacerbada em um período muito curto fez com que a empresa contabilizasse custos extraordinários de 6,8 milhões de reais entre abril e junho. Entre as instituições que reduziram a perspectiva das ações da Restoque de “acima da média” para “em linha com o mercado” estão a consultoria Raymond James e o banco JP Morgan.

A companhia também sofreu com atrasos em aberturas de shopping centers, superdimensionamento do número de atendentes nas lojas e também teve dificuldades na logística, que ficou dividida após seu centro de distribuição ter sido atingido por um incêndio em maio do ano passado.

Esses problemas se somaram a um momento difícil no mercado de moda para a classe A e B: a desvalorização do real encareceu as importações de roupas e tecidos da China e o endividamento da população desaqueceu o consumo como um todo, sobretudo no varejo. Mas, segundo Flavio Sznajder, sócio da gestora de fundos Bogari Capital, ainda que a conjuntura econômica não esteja tão favorável em 2012, a expansão acelerada da empresa continua sendo responsável pelos resultados abaixo das expectativas. "Nós vendemos nossa posição no papel da Le Lis no início do ano passado porque achávamos que o crescimento já estava muito agressivo e que poderia dar problema. E deu. Era absolutamente esperado", afirma Sznajder.

O gestor acredita, no entanto, que os ajustes que estão sendo feitos deverão trazer resultados em breve. "Eles são muito competentes. A estratégia era tentar ocupar um mercado específico antes que algumas marcas estrangeiras o fizessem. E estão certos. Só é preciso aparar as arestas", diz Sznajder.

Na contramão do mercado, em que grupos com capacidade de investir procuram grifes já consagradas para compor seu portfólio - o caso mais recente é a compra da Osklen pela Alpargatas -, a Restoque decidiu chegar a novos universos com propostas próprias que não foram testadas, batizadas de Noir (linha masculina), John John (moda jovem) e Beauté (maquiagem). O resultado, até agora, não foi uniforme. Para a Raymond James, os novos formatos tiveram um “início desequilibrado; bom para a John John e nem tão bom para a Noir”.

Em 2012, a Restoque inaugurou 23 lojas próprias Noir, Le Lis, 25 lojas próprias John John, 12 lojas próprias Bo.Bô, 11 lojas próprias Le Lis Blanc e 3 lojas próprias Le Lis Blanc Beauté.

Para o ano que vem, o mercado já vê alguns ventos favoráveis para a Restoque. O primeiro respiro será a própria diminuição do ritmo de expansão, que vai se traduzir em custos menores.

(Com Agência Estado)