Varejista voltada para as classes AB reavalia crescimento após abrir 78 lojas próprias em menos de um ano
Le Lis Blanc: 78 lojas abertas em menos de um ano (Fabiano Accorsi)
Nos corredores da sede da Restoque, dona da marca de roupas Le Lis Blanc, o clima entre funcionários não lembra nem de longe o glamour das campanhas da empresa com astros de Hollywood ou os flashes de colunas sociais que tomam conta dos coquetéis de inaugurações de lojas - só na primeira quinzena de outubro, seis novas unidades foram abertas. No meio do caminho de sua forte expansão, a Restoque se deparou com algumas pedras que se traduziram em um prejuízo de 12,8 milhões de reais no segundo trimestre e na demissão de 300 funcionários no mês passado.
O crescimento acelerado da empresa, que passou de 104 lojas próprias ao final de 2011 para 178 em outubro deste ano, fez com que ela fosse vista, durante um tempo, como a queridinha do varejo. Contudo, a percepção mudou quando a expansão exacerbada em um período muito curto fez com que a empresa contabilizasse custos extraordinários de 6,8 milhões de reais entre abril e junho. Entre as instituições que reduziram a perspectiva das ações da Restoque de acima da média para em linha com o mercado estão a consultoria Raymond James e o banco JP Morgan.
A companhia também sofreu com atrasos em aberturas de shopping centers, superdimensionamento do número de atendentes nas lojas e também teve dificuldades na logística, que ficou dividida após seu centro de distribuição ter sido atingido por um incêndio em maio do ano passado.
Esses problemas se somaram a um momento difícil no mercado de moda para a classe A e B: a desvalorização do real encareceu as importações de roupas e tecidos da China e o endividamento da população desaqueceu o consumo como um todo, sobretudo no varejo. Mas, segundo Flavio Sznajder, sócio da gestora de fundos Bogari Capital, ainda que a conjuntura econômica não esteja tão favorável em 2012, a expansão acelerada da empresa continua sendo responsável pelos resultados abaixo das expectativas. "Nós vendemos nossa posição no papel da Le Lis no início do ano passado porque achávamos que o crescimento já estava muito agressivo e que poderia dar problema. E deu. Era absolutamente esperado", afirma Sznajder.
O gestor acredita, no entanto, que os ajustes que estão sendo feitos deverão trazer resultados em breve. "Eles são muito competentes. A estratégia era tentar ocupar um mercado específico antes que algumas marcas estrangeiras o fizessem. E estão certos. Só é preciso aparar as arestas", diz Sznajder.
Na contramão do mercado, em que grupos com capacidade de investir procuram grifes já consagradas para compor seu portfólio - o caso mais recente é a compra da Osklen pela Alpargatas -, a Restoque decidiu chegar a novos universos com propostas próprias que não foram testadas, batizadas de Noir (linha masculina), John John (moda jovem) e Beauté (maquiagem). O resultado, até agora, não foi uniforme. Para a Raymond James, os novos formatos tiveram um início desequilibrado; bom para a John John e nem tão bom para a Noir.
Em 2012, a Restoque inaugurou 23 lojas próprias Noir, Le Lis, 25 lojas próprias John John, 12 lojas próprias Bo.Bô, 11 lojas próprias Le Lis Blanc e 3 lojas próprias Le Lis Blanc Beauté.
Para o ano que vem, o mercado já vê alguns ventos favoráveis para a Restoque. O primeiro respiro será a própria diminuição do ritmo de expansão, que vai se traduzir em custos menores.
(Com Agência Estado)