Conflito entre radicais e opositores matou importante político na quinta-feira
Cerca de 5.000 manifestantes tomaram a avenida Bourguiba em Túnis (Anis Mili/Reuters)
Milhares de secularistas protestaram contra o governo islamita na Tunísia, nesta segunda-feira. Os manifestantes criticam o governo por minar a transição à democracia ao não conter conflitos no país. O protesto ocorre depois da morte do político Lofi Nakd, na última quinta-feira, em meio a um combate entre secularistas e um grupo de islamitas ligado ao movimento Ennahda, que está no poder.
Segundo a agência Reuters, cerca de 5.000 manifestantes tomaram a avenida Bourguiba em Túnis, o epicentro dos protestos contra o regime de Zine al-Abidine Ben Ali no ano passado. “Sem medo, sem terror, o poder pertence ao povo”, “Não à ditadura emergente” e “Não à violência religiosa” eram algumas das frases escritas nos cartazes usados no protesto. Os manifestantes também cantaram o slogan da revolta árabe de 2011: ‘O povo quer derrubar o regime’.
A ONG Human Rights Watch disse na semana passada que a Tunísia falhou ao conter os ataques violentos de islamitas contra defensores do secularismo, incluindo jornalistas e artistas.
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“Ennahda é responsável pelo assassinato de um membro de nosso partido no bairro de Tataouine. A Tunísia pode cair em caos total sob o poder dos islamitas”, disse o líder do partido Nida Touns, Beji Caid Essebsi.
A tensão entre islamitas e secularistas tem crescido na Tunísia, país que iniciou as revoltas árabes, desde que o Ennahda venceu as primeiras eleições livres no país, em outubro do ano passado. O pleito foi realizado após uma série de protestos contra a ditadura. Desde então, uma briga sobre o papel da religião no governo polarizou a política no país, considerado por muito tempo como o mais secular dentre os árabes.