O democrata Joe Biden e o republicano Paul Ryan discutiram sobre política externa e temas domésticos. Vice de Obama teve postura dura no encontro
Joe Biden (esquerda) e Paul Ryan durante o debate: contrastes (John Gress/Reuters)
Os candidatos a vice-presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden – vice do presidente Barack Obama – e o republicano Paul Ryan – vice do desafiante Mitt Romney – se enfrentaram na noite desta quinta-feira em um debate tenso, marcado por trocas de acusações e momentos acalorados, com Biden partindo para a ofensiva constantemente na tentativa de recolocar a campanha democrata no rumo depois do fraco desempenho de Obama no primeiro debate contra Romney, na semana passada.
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O encontro, realizado no auditório do Centre College, em Danville, Kentucky, começou às 22h02 (em Brasília) e durou 90 minutos, sendo dedicado a temas tanto domésticos quanto de política externa. A menos de quatro semanas das eleições de 6 de novembro, foi o único debate entre os candidatos a vice, encarado pela campanha democrata como uma revanche, com Biden tendo a missão de recuperar terreno para Obama, que caiu nas pesquisas desde o embate contra Romney.
Líbia – Logo na pergunta de abertura, a mediadora Martha Raddatz, da rede ABC News, tocou num ponto delicado: se o ataque ao consulado americano em Bengasi, na Líbia, que resultou namorte de três funcionários e o embaixador americano Chris Stevens, ocorreu devido a uma falha de segurança.
"O governo nunca recebeu nenhuma petição por parte da embaixada na Líbia de que necessitavam de mais proteção. Nada do que foi dito é verdadeiro", afirmou Biden. "Vamos chegar ao fundo do assunto e encontrar o homem que causou aquilo", garantiu. Ryan, por sua vez, criticou a demora do presidente Barack Obama em tratar o ataque como um atentado terrorista, o que demonstraria que a política externa do governo democrata estaria "desmoronando".
"Não deveríamos ter um destacamento militar para proteger nosso embaixador em Bengasi?", questionou o republicano, avaliando que os recentes ataques antiamericanos no mundo árabe demonstram que "quando damos a impressão de sermos fracos, nossos inimigos são mais inclinados a nos testar".
"Esta questão em Bengasi seria uma tragédia em si", afirmou Ryan. "Mas infelizmente, é um indício de um problema mais amplo, e o que estamos vendo é o desmoronamento da política externa de Obama, que está tornando as coisas mais caóticas e deixando-nos menos seguros", criticou. Biden contra-atacou: "Com todo o respeito, isto é um monte de tolice", afirmou o democrata. "Nada do que ele disse é correto", acrescentou. Porém, o vice-presidente admitiu que o governo foi mal informado pelas agências de inteligência na sequência do ataque e disse que haverá uma investigação para garantir que os mesmos erros não voltem a ser cometidos.
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Irã – Os dois candidatos também se enfrentaram sobre outro tema sensível do Oriente Médio: o programa nuclear iraniano. Para o candidato republicano, a segurança dos Estados Unidos se debilitou nos últimos quatro anos. "Quando Barack Obama foi eleito, (os iranianos) tinham material nuclear para fabricar uma bomba. Atualmente, eles têm quantidade para cinco", acusou Paul Ryan.
"Incrível!", reagiu Biden, ofendido. Para ele, a república islâmica ainda está "bem longe" de conseguir a bomba atômica. "Os israelenses e os Estados Unidos, assim como todos os serviços de inteligência militares chegaram às mesmas conclusões quanto ao fato de saber se o Irã está perto de ter uma arma nuclear. Eles ainda estão longe", disse Joe Biden, que assegurou: "Nós não vamos permitir que os iranianos tenham a arma nuclear".
O Irã também levou os dois adversários a discutir sobre a possibilidade de guerra dos EUA contra a república islâmica. Depois de Ryan acusar o governo Obama de ter tido quatro anos para impedir a evolução do programa nuclear de Teerã, Biden respondeu: "Impusemos a maior sanção da história (contra o Irã). Vocês querem ir à guerra agora. A última coisa que precisamos é de uma guerra", rebateu o democrata. "Queremos evitar a guerra", contestou Ryan, para em seguida admitir que, entre uma nova guerra no Oriente Médio e a presença de um Irã nuclear, a segunda hipótese seria a pior.
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Economia – A política econômica do governo Obama também foi alvo de ataques de Paul Ryan. O companheiro de chapa de Romney repetiu acusações republicanas de que a economia vai "na direção errada" e disse que os dados recentes, como o atual índice de desemprego de 7,8%, "não parecem ser uma recuperação". Se Romney for eleito, ele prometeu a economia crescerá 4% ao ano e 12 milhões de empregos serão criados – esse número, porém, já é previsto pelos órgãos do próprio governo americano.
Biden revidou, acusando Romney de ter aconselhado o governo a "deixar à bancarrota" a indústria automobilística dos EUA, que se reergueu durante o governo Obama. Além disso, o democrata foi irônico ao dizer que Ryan não sabe ler estatísticas, em referência ao fato de a taxa de desemprego ter caído a 7,8% em setembro – a taxa mais baixa nos últimos quatros anos.
Saúde – Quando o assunto discutido foi saúde, Biden criticou o plano dos republicanos para o Medicare (programa de saúde para idosos e deficientes) e também o projeto para a previdência social. O vice de Obama disse que os republicanos planejam privatizar a previdência. Ele também defendeu a reforma de saúde parcialmente executada pelo presidente Barack Obama desde 2009.
"Nós economizamos 700 bilhões de dólares do Medicare" evitando fraudes e desperdícios com seguradoras de saúde, afirmou o vice-presidente "Ele sabe disso, que cada paciente custava milhares de dólares a mais para o governo", disse Biden falando para Ryan. "Nós não vamos privatizar a seguridade social", disse Biden.
Questionado sobre se iria privatizar a previdência, Ryan disse que o plano, na era do presidente George W. Bush, era privatizar a previdência "só para os jovens. Eles teriam a escolha", disse. O congressista republicano retirou o projeto do Congresso em 2011. "Não é verdade" que os jovens teriam escolha, disse Biden. Já Ryan criticou várias vezes a reforma da saúde, chamada de Obamacare.
(Com agências Estado e France-Presse)