terça-feira, 6 de novembro de 2012

Apesar do 'The Voice Brasil', Daniel não desiste do Teleton


Ídolo sertanejo comemora 30 anos de carreira com show especial, biografia, documentário, DVD e na função de técnico do reality show de música da Globo




Daniel estreia novo show em São Paulo no próximo dia 9 de novembro (Divulgação)
"Quando ocorreu essa questão do desânimo, da fraqueza, a primeira pergunta que eu me fazia era essa: O que eu vou fazer? Nunca me vi fazendo outra coisa, não me vejo fazendo outra coisa."

Ele canta o amor, é romântico assumido e nunca teve o nome envolvido em boatos que abalassem a imagem de bom moço. "Um príncipe", como brincam os demais técnicos do The Voice Brasil. Depois de 30 anos de carreira - comemorados a partir deste mês - o reality show musical da TV Globo se apresentou como novidade para quem pensava ter vivido tudo na música. "Aceitei mais do que depressa. Respiro esse projeto dia e noite, com a preocupação de estar em busca de uma bela voz para o Brasil", diz.

Agora, com gravações do programa até dezembro, Daniel precisará conciliar os eventos que marcam sua terceira década na música. Para isso, estão sendo planejados uma biografia, um documentário e um novo DVD. Afinal, são 25 CDs gravados, com mais de 13 milhões de cópias vendidas, e 5 DVDs. "Tudo deve ficar pronto até o fim do próximo ano, quando a gente fecha o ciclo dos 30 anos", explica. Daniel sempre fala no plural quando se refere à agenda profissional, como fazia na época em que era dupla com João Paulo - o parceiro que morreu em um acidente de carro em 1997 e cuja lembrança ele mantém viva.

Como é a experiência de produzir outros artistas? Já tinha feito algo parecido com o que se vê no The Voice Brasil? Nunca. E essa missão é muito difícil, porque todos os participantes já têm uma bagagem, e nós estamos ali para dar nossa opinião e, de repente, orientar em alguma coisinha.

Mas o The Voice Brasil também trouxe um problema: a proibição de participar doTeleton (programa transmitido pelo SBT com renda revertida à AACD), do qual você é padrinho. Como você recebeu essa notícia? Confesso que fiquei triste, lógico, porque é um projeto do qual eu sempre participei. Fui convidado para ser padrinho há muitos anos, não vejo como não estar lá. Por outro lado, tenho um compromisso, um contrato assinado com a Rede Globo para participar do The Voice Brasil e estou ali de corpo e alma. Mas acho que quando se trata de um projeto especial, como o Teleton, poderia haver um pensamento um pouco diferente. Estamos num impasse agora, e tentando mudar o rumo dessa conversa. Ainda não sei como vai ser.

Na fase das audições do programa você foi o mais econômico nas escolhas, levando os outros técnicos a criar a campanha 'Bate, Daniel'. Isso foi uma estratégia sua ou poucos candidatos interessavam? Não, foram muitos os que me agradaram. Não criei nenhuma estratégia. A única coisa que eu tinha determinado era que só bateria quando encantasse meu coração. Tentei agir dessa forma, não foi nada planejado, foi uma coisa de momento. No primeiro dia de audições às cegas eu já vi que o programa era totalmente diferente do que eu imaginava. Eu achei que encontraria ali algumas coisas “ruins”, e a gente não teria dúvida do que escolhesse. Mas não, só passava gente boa, ouvia apenas vozes boas e cantores afinados. Então, optei por ir em busca de algo diferente, que me encantasse.

E como é a convivência com Claudia Leitte, Lulu Santos e Carlinhos Brown? Essa era uma preocupação que a gente tinha antes de começar o projeto. Mas a harmonia é sbsoluta. O ambiente é de uma generosidade, de um companheirismo sem tamanho. Um está sempre preocupado com o outro. Parecia que a gente já se conhecia há muito tempo. Claro que a gente já se conhecia, mas nunca teve um contato assim direto, não tinha convivência. Tem sido muito legal. Claro que existe a questão de cada um querer dar o seu melhor. É uma competição e todo mundo espera chegar à final com o melhor. Mas tem sido algo muito saudável, muito gostoso, de a gente não ver a hora de chegar o momento da gravação.

O que o público vai encontrar no show Daniel – 30 Anos, O Musical? Logicamente não teria como levar um musical para a estrada. A logística é compllicada. O grande diferencial desse show é a interação com a plateia de uma forma bem diferente. Uma coisa mais teatral conectada à música. Estreamos no próximo dia 9, no Credicard Hall, em São Paulo, e a partir de lá vamos procurar viajar com o show. Já começamos a preparar um documentário, contando minha história. Está nas mãos do Jeremias Moreira, o mesmo diretor de O Menino da Porteira(filme de 2009 que teve a atuação de Daniel). Também planejamos um livro, minha biografia, e talvez tenhamos ainda um DVD comemorativo, que possivelmente será gravado na minha terra natal, Brotas, no interior de São Paulo. Tudo deve ficar pronto até o fim do próximo ano, quando a gente fecha o ciclo dos 30 anos.

Que peso tiveram os momentos difíceis, como o da morte do João Paulo? Pensei muitas vezes em parar de cantar, e esse pensamento perdurou por um bom tempo na minha cabeça. Não é fácil se reajustar novamente. Mas graças a Deus consegui me levantar novamente e continuar essa história, que é uma coisa que eu amo. Acho que é um privilégio a gente poder fazer o que gosta. E eu realmente respiro a música. Quando ocorreu essa questão do desânimo, da fraqueza, a primeira pergunta que eu me fazia era essa: O que eu vou fazer? Nunca me vi fazendo outra coisa, não me vejo fazendo outra coisa. Então, minha vida é essa, cantar enquanto eu puder, ser mensageiro de paz, de alegria, de felicidade. E enquanto eu tiver essa oportunidade, quero estar em cima de um palco.

E a melhor lembrança desses 30 anos? Um dos melhores foi quando ganhei meu Disco de Ouro, que era um sonho que nós tínhamos juntos. Esse momento foi muito marcante para mim. A gravação de Estou Apaixonado foi um dos grandes presentes que recebemos também, porque só nós sabemos o quanto é difícil eternizar uma canção, e ela é viva até hoje. Essa também foi uma das maiores alegrias para mim.