sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

'Infância Clandestina' mostra perda da inocência na ditadura


Coprodução entre Brasil e Argentina, filme que estreia nesta sexta-feira no país concorre a vaga para disputar o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013




Juan (Teo Gutiérrez) em cena do filme Infância Clandestina, de Benjamín Ávila (Divulgação)

No futebol, a rivalidade entre Brasil e Argentina é histórica. Mas nada disso atrapalhou a realização do filme Infância Clandestina, coprodução entre Brasil e Argentina, dirigido pelo argentino Benjamín Ávila e com roteiro feito em conjunto com o brasileiro Marcelo Müller. Muito pelo contrário. O longa, que estreia nesta sexta-feira no Brasil e que foi selecionado pela Argentina para concorrer a uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro em 2013, mostra que essa parceria pode ser útil para o cinema feito nos dois países.

Ávila e Müller se conheceram há cerca de 10 anos, quando o argentino ensinava o brasileiro na Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba (EICTV), uma das melhores do mundo. A relação professor-aluno extrapolou as salas de aula e eles logo viraram amigos. Alguns anos depois, Müller foi trabalhar em um estúdio na Argentina, e acabou passando uma temporada na casa do amigo. “Toda noite, eu chegava em casa e ele vinha com algum projeto para a gente trabalhar junto”, conta.

Drama real - Com o tempo, foi natural quererem transformar a história de Ávila em película. Ainda na infância, o diretor viveu um drama em seu país de origem. Filho de guerrilheiros de esquerda (montoneros), ele viveu no exílio com a mãe e, ao retornarem ao país, em 1979, na tentativa de derrubar a ditadura militar da Argentina, a mãe acabou sendo presa e morta.

Hoje, aos 40 anos de idade, Ávila conta que não queria fazer um filme essencialmente sobre sua história - queria fazer um filme que contasse aquela história que, por acaso, ele viveu. Daí, surgiu a ideia de ter alguém com um “olhar estrangeiro” para escrevê-la. “Marcelo, como não é argentino, teve uma visão mais livre. Ele conseguiu contextualizar melhor a história para quem não a conhece, e suavizar o tema”,