Principal grupo de oposição diz que só participará das negociações se convite for retirado. Estados Unidos também defendem que ONU volte atrás
O chanceler russo Sergei Lavrov (à esq.) debate a questão síria com o secretário de estado americano, John Kerry(Philippe Wojazer/Reuters)
O convite de última hora feito pela ONU para que o Irã compareça à conferência de paz sobre a Síria colocou em dúvida nesta segunda-feira a realização do encontro, previsto para começar na próxima quarta, em Montreux, na Suíça. A Coalizão Nacional, grupo opositor reconhecido por potências ocidentais, disse que não participará do diálogo se o secretário-geral Ban Ki-moon não retirar o convite.
Os Estados Unidos pediram à ONU que retire o convite. A posição da administração Obama é que o Irã, aliado de Bashar Assad, deve apoiar publicamente o acordo de Genebra de 2012, que defende um governo provisório para a Síria. “Se o Irã não aceitar por completo e publicamente o comunicado de Genebra, o convite deve ser cancelado”, disse Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado americano. Para aumentar as incertezas sobre a conferência,Assad negou qualquer intenção de renunciar ao poder.
O secretário-geral da ONU declarou que o convite foi feito depois que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, disse que aceitava as resoluções de 2012. "O ministro Zarif e eu concordamos que o objetivo das negociações é estabelecer por consenso um governo transitório com poderes executivos plenos".
O Irã disse, no entanto, que compareceria às negociações sem ter aceitado qualquer pré-condição, mantendo a sua posição tradicional. "Sempre rejeitamos pré-condições para comparecer à Genebra 2. Com base num convite oficial que recebemos, o Irã irá à Genebra 2 sem qualquer pré-condição", disse Marzieh Afkham, porta-voz do Ministério do Exterior, segundo citação da agência de notícias iraniana Isna. O encontro em Montreux está sendo chamado de Genebra 2, por tratar do mesmo tema da reunião realizada em 2012.
Mas a demanda principal dos rebeldes pela saída de Assad do poder parece cada vez mais distante de ser alcançada. O regime conseguiu avanços ao recuperar áreas que estavam nas mãos dos rebeldes. E países ocidentais que defendiam a queda de Assad já não enfatizam essa posição devido a presença de grupos ligados à rede terrorista Al Qaeda entre os que lutam contra o regime.
(Com agência Reuters)