segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Principal grupo de oposição diz que só participará das negociações se convite for retirado. Estados Unidos também defendem que ONU volte atrás


Principal grupo de oposição diz que só participará das negociações se convite for retirado. Estados Unidos também defendem que ONU volte atrás


O chanceler russo Sergei Lavrov (à esq.) debate a questão síria com o secretário de estado americano, John Kerry(Philippe Wojazer/Reuters)

O convite de última hora feito pela ONU para que o Irã compareça à conferência de paz sobre a Síria colocou em dúvida nesta segunda-feira a realização do encontro, previsto para começar na próxima quarta, em Montreux, na Suíça. A Coalizão Nacional, grupo opositor reconhecido por potências ocidentais, disse que não participará do diálogo se o secretário-geral Ban Ki-moon não retirar o convite.

Os Estados Unidos pediram à ONU que retire o convite. A posição da administração Obama é que o Irã, aliado de Bashar Assad, deve apoiar publicamente o acordo de Genebra de 2012, que defende um governo provisório para a Síria. “Se o Irã não aceitar por completo e publicamente o comunicado de Genebra, o convite deve ser cancelado”, disse Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado americano. Para aumentar as incertezas sobre a conferência,Assad negou qualquer intenção de renunciar ao poder.
O secretário-geral da ONU declarou que o convite foi feito depois que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, disse que aceitava as resoluções de 2012. "O ministro Zarif e eu concordamos que o objetivo das negociações é estabelecer por consenso um governo transitório com poderes executivos plenos".

O Irã disse, no entanto, que compareceria às negociações sem ter aceitado qualquer pré-condição, mantendo a sua posição tradicional. "Sempre rejeitamos pré-condições para comparecer à Genebra 2. Com base num convite oficial que recebemos, o Irã irá à Genebra 2 sem qualquer pré-condição", disse Marzieh Afkham, porta-voz do Ministério do Exterior, segundo citação da agência de notícias iraniana Isna. O encontro em Montreux está sendo chamado de Genebra 2, por tratar do mesmo tema da reunião realizada em 2012.

Mas a demanda principal dos rebeldes pela saída de Assad do poder parece cada vez mais distante de ser alcançada. O regime conseguiu avanços ao recuperar áreas que estavam nas mãos dos rebeldes. E países ocidentais que defendiam a queda de Assad já não enfatizam essa posição devido a presença de grupos ligados à rede terrorista Al Qaeda entre os que lutam contra o regime.

(Com agência Reuters)