Reportagem da revista colombiana 'Semana' afirma que operação clandestina ocorria dentro de um restaurante em Bogotá. Presidente pediu investigação

Negociador-chefe do governo colombiano no diálogo com as Farc, Humberto de la Calle embarca rumo a Cuba (AFP)
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ordenou que o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, “investigue a fundo” a suspeita de que os negociadores do governo no processo de paz com as Farc foram espionados. A informação foi divulgada pela revista Semana, que revelou a existência de um escritório de fachada da inteligência militar. O local teria sido usado para monitorar comunicações privadas de pessoas como o chefe do grupo do governo que participa das negociações, Humberto de la Calle, o alto comissário de Paz, Sergio Jaramillo, e o diretor da Agência Colombiana para a Reintegração, Alejandro Eder.
A revista ressaltou, em sua página na internet, que a central de interceptações começou a funcionar um mês antes de o governo iniciar as conversas com o grupo terrorista, em Havana. As fontes consultadas pela publicação disseram não saber quem era o destinatário final da informação coletada.
Nesta terça, o presidente considerou “inaceitável” as escutas ilegais de seus negociadores em Cuba. “Vamos averiguar até onde conseguiu chegar o uso ilícito da inteligência, quem está interessado em interceptar nossos negociadores e que forças obscuras estão por trás disso. Se há rodas soltas no Exército e a quem estão informando”, disse, depois de se reunir com altos funcionários do Exército e da Polícia. “Existem operações de inteligência que são uma obrigação do Estado, dirigidas contra os grupos terroristas e os criminosos. Essa é a inteligência boa, mas o uso ilegal da inteligência debilita o uso legal e desprestigia este trabalho”, acrescentou Santos, em declarações reproduzidas pelo jornal espanhol El País.
O ministro Pinzón determinou que o comandante do Exército, general Juan Pablo Rodríguez, inicie uma investigação para saber se o escritório de fachada, chamado Andrômeda, estaria ligado a um batalhão da Central de Inteligência Técnica do Exército. O Citec é o órgão responsável pelas grandes operações militares que resultaram em expressivos ganhos contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, como a libertação da refém Ingrid Betancourt e de outra dezena de sequestrados.
Disfarce – O escritório clandestino foi instalado em uma sala em um restaurante popular na capital Bogotá. No local também funciona um centro de ensino de informática que oferece inclusive cursos relacionados à segurança na internet. “O que chama muito a atenção é que, embora seja um lugar aparentemente comum, conta com dois seguranças privados, um dos quais não perde de vista os clientes que tentam movimentar-se pelo lugar. Até mesmo os trabalhadores do local, como cozinheiras e garçonetes, que são alheiros ao que realmente ocorria ali”, descreve a Semana.
O escritório contava com militares ativos e também com hackers civis, aos quais eram solicitadas informações fragmentadas. Um deveria hackear uma conta de e-mail específica; outro, conseguir as conversas de X ou Y em smartphones; um terceiro, deveria baixar as conversas em aplicativos como o WhatsApp. “Eles só têm um pedaço do filme. Mas a informação completa chega aos chefes”, disse uma fonte consultada pela revista.
O caso fez voltar à tona o escândalo das atividades ilegais do DAS, o antigo serviço de inteligência da presidência, durante o governo Álvaro Uribe. O órgão foi acusado de espionar jornalistas, políticos e magistrados que se opunham à administração. Uribe negou qualquer responsabilidade no caso.
Negociador-chefe do governo colombiano no diálogo com as Farc, Humberto de la Calle embarca rumo a Cuba (AFP)
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ordenou que o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, “investigue a fundo” a suspeita de que os negociadores do governo no processo de paz com as Farc foram espionados. A informação foi divulgada pela revista Semana, que revelou a existência de um escritório de fachada da inteligência militar. O local teria sido usado para monitorar comunicações privadas de pessoas como o chefe do grupo do governo que participa das negociações, Humberto de la Calle, o alto comissário de Paz, Sergio Jaramillo, e o diretor da Agência Colombiana para a Reintegração, Alejandro Eder.
A revista ressaltou, em sua página na internet, que a central de interceptações começou a funcionar um mês antes de o governo iniciar as conversas com o grupo terrorista, em Havana. As fontes consultadas pela publicação disseram não saber quem era o destinatário final da informação coletada.
Nesta terça, o presidente considerou “inaceitável” as escutas ilegais de seus negociadores em Cuba. “Vamos averiguar até onde conseguiu chegar o uso ilícito da inteligência, quem está interessado em interceptar nossos negociadores e que forças obscuras estão por trás disso. Se há rodas soltas no Exército e a quem estão informando”, disse, depois de se reunir com altos funcionários do Exército e da Polícia. “Existem operações de inteligência que são uma obrigação do Estado, dirigidas contra os grupos terroristas e os criminosos. Essa é a inteligência boa, mas o uso ilegal da inteligência debilita o uso legal e desprestigia este trabalho”, acrescentou Santos, em declarações reproduzidas pelo jornal espanhol El País.
O ministro Pinzón determinou que o comandante do Exército, general Juan Pablo Rodríguez, inicie uma investigação para saber se o escritório de fachada, chamado Andrômeda, estaria ligado a um batalhão da Central de Inteligência Técnica do Exército. O Citec é o órgão responsável pelas grandes operações militares que resultaram em expressivos ganhos contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, como a libertação da refém Ingrid Betancourt e de outra dezena de sequestrados.
Disfarce – O escritório clandestino foi instalado em uma sala em um restaurante popular na capital Bogotá. No local também funciona um centro de ensino de informática que oferece inclusive cursos relacionados à segurança na internet. “O que chama muito a atenção é que, embora seja um lugar aparentemente comum, conta com dois seguranças privados, um dos quais não perde de vista os clientes que tentam movimentar-se pelo lugar. Até mesmo os trabalhadores do local, como cozinheiras e garçonetes, que são alheiros ao que realmente ocorria ali”, descreve a Semana.
O escritório contava com militares ativos e também com hackers civis, aos quais eram solicitadas informações fragmentadas. Um deveria hackear uma conta de e-mail específica; outro, conseguir as conversas de X ou Y em smartphones; um terceiro, deveria baixar as conversas em aplicativos como o WhatsApp. “Eles só têm um pedaço do filme. Mas a informação completa chega aos chefes”, disse uma fonte consultada pela revista.
O caso fez voltar à tona o escândalo das atividades ilegais do DAS, o antigo serviço de inteligência da presidência, durante o governo Álvaro Uribe. O órgão foi acusado de espionar jornalistas, políticos e magistrados que se opunham à administração. Uribe negou qualquer responsabilidade no caso.