quarta-feira, 1 de abril de 2015

Oi cortará 1.070 postos de trabalho em abrilDemissões reduzirão em 6% o quadro de funcionários e objetivo é diminuir em 20% gastos com pessoal. Vivo e Nextel já demitiram em fevereiro

 

O ajuste no quadro de pessoal faz parte de uma ampla estratégia de reestruturação(Marcelo Correa/VEJA)

Em mais uma etapa de seu plano de reorganização e simplificação da estrutura, a Oi vai cortar em abril um total de 1.070 postos de trabalho, 6% do quadro de funcionários diretos. As demissões atingem todos os níveis da companhia e se somam ao corte de cerca de 150 diretores e gerentes em outubro passado.

O ajuste no quadro de pessoal faz parte de uma ampla estratégia do presidente da Oi, Bayard Gontijo, de fortalecer a saúde financeira da empresa, que tem alto endividamento e ainda ressente da fracassada fusão com a Portugal Telecom. O processo de reestruturação começou no quarto trimestre de 2014.

Além dos desligamentos, a empresa também vai congelar vagas que estavam abertas. Assim, o grupo de telecomunicações pretende reduzir em aproximadamente 20% suas despesas relacionadas à estrutura de pessoal. Os encargos com as demissões serão contabilizados no resultado da Oi do segundo trimestre.

"O ano de 2015 é desafiador em todo o contexto macroeconômico do país e também no setor de telecomunicações. Considerando este cenário e os próprios desafios da companhia, a Oi desenvolveu um plano orçamentário para 2015 para assegurar ganhos de produtividade e de rentabilidade", disse a empresa à agência Reuters. "Mesmo com a redução do quadro funcional, (a Oi) continua sendo um dos maiores empregadores do Brasil, gerando cerca de 177 mil empregos diretos e indiretos em todo o território nacional", acrescentou a companhia.

O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores de Empresas de Telecomunicações (Fenattel), Almir Munhoz, disse à Reuters ter sido informado pela Oi que o Estado mais afetado pelos cortes será o Rio de Janeiro, onde fica a sede do grupo. De acordo com o sindicalista, a Fenattel pediu benefícios aos demitidos, tais como convênio médico e um salário por ano trabalhado, com o objetivo de minimizar o impacto financeiro que as demissões trazem aos trabalhadores dispensados.

Na sexta-feira passada, o presidente da Oi disse em teleconferência com analistas que concentrará esforços na redução de custos e na geração de caixa neste ano, após o grupo ter registrado prejuízo de 4,4 bilhões de reais em 2014.

"Temos reuniões semanais para analisar todas as linhas dos custos para melhorar em todos os aspectos, e (quadro de) pessoal é uma das linhas", disse o presidente da Oi na ocasião, sem dar mais detalhes.

Vivo e Nextel - Segundo a Fenattel, a Oi não está sozinha na redução de funcionários. A federação informou que a Telefônica Brasil, que opera a marca Vivo, demitiu cerca de 1 mil pessoas em fevereiro. Neste mesmo mês, a Nextel também cortou 1 mil funcionários em São Paulo.

Procuradas, Telefônica Brasil e Nextel confirmaram a realização de ajustes em seus quadros de empregados, mas não revelaram quantos funcionários foram atingidos. A Telefônica Brasil promoveu "uma reorganização em suas áreas com o objetivo de obter maior sinergia de processos e atividades" em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, por meio de programa de demissões voluntárias.

A Nextel disse que reestruturou sua área de serviço de atendimento ao cliente para "otimizar recursos e consolidar um modelo sustentável para suas operações".

(Com agência Reuters)