A chefe da diplomacia americana, que completou 65 anos nesta sexta-feira, reafirmou ao The Washington Post que deixará o departamento de Estado em janeiro
Ataques terroristas contra uma embaixada americana na Líbia, segundo os jornais americanos, poderiam adiar os planos da secretária de Estado de deixar o governo (Mark Wilson/AFP)
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, reiterou mais uma vez o desejo de deixar o cargo após a posse do próximo presidente dos Estados Unidos, em 20 de janeiro de 2013, mesmo se Barack Obama for reeleito. "Trabalho com o mesmo calendário (...) Tenho como meta me afastar pouco após a posse", disse Clinton em entrevista ao jornal The Washington Postpublicada nesta sexta-feira. "Este é o meu projeto, mas ainda não pude me sentar para falar com o presidente porque ele está tentando vencer uma eleição, o que, espero, ocorrerá. Discutiremos então sobre a forma de realizar a transição", complementou.
No dia em que completou 65 anos -- idade legal para aposentadoria nos Estados Unidos -- a secretária de Estado respondeu a especulações de que permaneceria no cargo por mais tempo, principalmente devido ao assassinato de diplomatas americanos na cidade líbia de Benghazi no mês passado, entre eles o embaixador Christopher Stevens. O mesmo jornal publicara em seu blog, no dia anterior, uma entrevista na qual Hillary dizia que sua permanência era "improvável."
A chefe da diplomacia americana, derrotada em 2008 nas primárias democratas por Obama, foi a secretária de Estado que mais realizou viagens diplomáticas enquanto esteve no cargo, tendo visitado 110 países. Ela é uma das figuras mais populares do gabinete de Obama e se tornou um pilar do governo. Mesmo assim, Clintou assegurou em várias oportunidades que só ocuparia o cargo no primeiro mandato presidencial do democrata. "Não estou realmente disposta a permanecer mais tempo, mas também sei que devemos ter consciência do trabalho que nos resta fazer. Insisto, devo falar com o presidente", declarou ao site do jornal.
Mesmo com as declarações, os jornais americanos não descartam Clinton como candidata democrata à corrida presidencial de 2016.
Em declarações à rede NBC nesta sexta-feira, o presidente Barack Obama comentou a saída da chefe da diplomacia americana. "Apesar das minhas súplicas, talvez seja o momento dela passar mais tempo com a sua família", disse. "Ela fez um enorme trabalho. Gostaria que continuasse", acrescentou.
(Com Agence France-Presse)